Migração ao mercado livre reduz custos: pesquisa da CNI mostra que a maioria das empresas que deixou o mercado cativo registrou queda nas contas de eletricidade. A regra de 2024 facilitou o acesso.
A abertura do mercado livre de energia começa a trazer resultados significativos para as indústrias brasileiras. De acordo com a “Sondagem Especial Indústria e Energia 2026”, divulgada hoje, 30 de julho, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 73% das empresas que migraram do mercado cativo para o mercado livre relataram uma redução em suas contas de energia elétrica. Essa mudança destaca a busca das indústrias por alternativas para reduzir um dos principais custos de produção.
Desde a implementação da nova regra do Ministério de Minas e Energia em 2024, que facilitou o acesso ao mercado livre, 41% das indústrias já optaram por essa modalidade. Apesar desse avanço, ainda existe um potencial significativo de crescimento, com 37% das empresas atendidas em baixa tensão que permanecem no mercado regulado expressando interesse em migrar.
“A pesquisa mostra a importância desse custo para a competitividade da indústria e que o caminho escolhido pelas empresas para diminuir as tarifas passa pela migração ao mercado livre”, afirmou Roberto Wagner Pereira, gerente de Energia da CNI.
O estudo revela que a energia elétrica é o principal insumo para 79% das indústrias, e 83% dos empresários consideram o custo da energia fundamental para a competitividade. Além disso, 67% afirmaram que o aumento das tarifas impacta diretamente os custos de produção. Nos últimos 12 meses, 62% das empresas relataram sentir os efeitos da variação dos preços da energia elétrica, levando à adoção de medidas para reduzir gastos.
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De acordo com a pesquisa, 64% das indústrias implementaram alguma estratégia para otimizar os custos com energia, sendo que a migração para o mercado livre foi escolhida por 30% das empresas. Outras 13% investiram em projetos de autogeração ou eficiência energética, enquanto 28% não realizaram iniciativas para otimizar o consumo.
A adesão ao mercado livre varia conforme o porte das indústrias. Entre as grandes empresas atendidas em alta tensão, 63% já estão comprando energia nesse ambiente, enquanto apenas 22% das pequenas empresas adotaram essa opção, com 45% ainda no mercado cativo. Isso indica a necessidade de expansão da modalidade.
Em relação aos investimentos, o setor de produtos de borracha lidera a autogeração, com 25% das indústrias investindo nessa área, e 38% migraram para o mercado livre. O setor calçadista mostrou a maior adesão ao ambiente de livre contratação, com 47% das empresas, enquanto o segmento de equipamentos de informática destacou-se em eficiência energética com 25% das empresas investindo. Pereira enfatizou a necessidade de melhorias estruturais no setor elétrico, como tarifas mais dinâmicas e a revisão de subsídios que encarecem a conta de energia.
A CNI acredita que a abertura gradual do mercado livre continuará a ampliar as opções para a indústria, permitindo a redução de custos em um cenário de energia mais cara e maior competição internacional. A “Sondagem Especial Indústria e Energia” foi realizada em abril com a participação de 1.498 indústrias dos setores extrativo e de transformação.
Fonte: InfoMoney – Mercado
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