A Abit afirma que a taxa americana de 12,5% prejudica a indústria têxtil e simplifica a realidade das fábricas brasileiras. O USTR investigou 60 países por suposto trabalho escravo, diz comunicado.
A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) expressou sua preocupação com a nova taxa de 12,5% imposta pelo governo dos Estados Unidos ao Brasil. Essa decisão foi comunicada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que conduziu uma investigação contra 60 economias, alegando falhas no combate ao trabalho escravo.
“A ação de hoje começará a corrigir o que é tanto uma violação dos direitos humanos quanto uma prática comercial distorcida, visando melhorar o bem-estar dos trabalhadores em todo o mundo”, afirmou o chefe do USTR, Jamieson Greer.
A Abit contestou a justificativa apresentada pelos Estados Unidos, argumentando que não corresponde à realidade brasileira. O Brasil possui uma das legislações mais avançadas do mundo no combate ao trabalho escravo contemporâneo, além de estruturas permanentes de fiscalização e responsabilização. O enfrentamento dessa prática é um compromisso tanto do Estado quanto das empresas que operam formalmente no País.
A Abit destacou que a indústria têxtil investe em programas sociais e de sustentabilidade, e que a nova carga de impostos terá um impacto significativo na competitividade do setor, comprometendo os esforços de integração comercial entre os dois países. A nova sobretaxa representa mais um obstáculo às exportações brasileiras, especialmente em um momento em que empresas dos EUA e Brasil têm fortalecido suas parcerias comerciais e diversificado suas cadeias de fornecimento.
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A entidade afirmou que continuará a dialogar com o Governo Federal e parceiros americanos para reverter as taxas, que podem chegar a um total de 37,5% quando somadas às tarifas já existentes.
O USTR, em um relatório sobre a investigação, revelou que 54 das economias investigadas não impuseram ou não aplicaram medidas para proibir a importação de produtos feitos com trabalho forçado. O documento também mencionou que Canadá, Equador, Indonésia, México, Paquistão e a União Europeia conseguiram impor tais medidas, mas não as aplicaram de forma eficaz.
A nova sobretaxa se junta a uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros, anunciada anteriormente. Essa decisão foi tomada sob a autoridade da Seção 301, que analisou práticas brasileiras em áreas como comércio digital e propriedade intelectual.
Em uma conversa com jornalistas, Greer apontou que o Brasil tem adotado uma série de medidas consideradas injustas para os interesses norte-americanos. Entre os problemas destacados estão ordens judiciais que obrigaram empresas de tecnologia a remover conteúdos políticos e o favorecimento do sistema Pix, que gera desvantagem competitiva para empresas dos EUA.
Greer observou que as tratativas com o Brasil têm encontrado dificuldades e que, apesar das diversas propostas apresentadas, não houve uma resposta satisfatória por parte do governo brasileiro.
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