Ambev registrou alta de volumes e melhora nas margens no 2º trimestre, mas receita e Ebitda ficaram aquém das expectativas. A Copa do Mundo aqueceu o consumo, mas o efeito não se traduziu totalmente nos números.
A Ambev (ABEV3) divulgou um balanço misto para o segundo trimestre de 2026, mostrando crescimento em volumes e uma expansão nas margens, mas com receitas e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) abaixo das expectativas do mercado. Este resultado reforça uma avaliação que ganhou força entre analistas após a divulgação: o otimismo acumulado ao longo do trimestre, impulsionado principalmente pela Copa do Mundo de 2026, não se traduziu integralmente nos números operacionais da companhia.
Após o resultado do primeiro trimestre, as ações da fabricante de bebidas saltaram mais de 15%. A Ambev reportou uma receita líquida de R$ 20,1 bilhões, o que representa uma alta de 0,3% em comparação anual, mas que ficou abaixo das projeções de mercado e das estimativas de casas como JPMorgan, Itaú BBA, XP e Bradesco BBI. Já o Ebitda ajustado somou R$ 6,4 bilhões, com um avanço de 3,6% ano a ano, enquanto o lucro líquido alcançou R$ 3,4 bilhões, apresentando um crescimento de cerca de 24%, beneficiado por um resultado financeiro melhor do que o esperado.
O principal foco dos investidores estava na operação de cerveja no Brasil, que é responsável pela maior parte da geração de resultados da companhia. Nesse segmento, os volumes cresceram 5% em relação ao mesmo período de 2025, sustentados por ganhos de participação de mercado e pela força das marcas premium. Porém, o desempenho ficou abaixo das expectativas mais otimistas do mercado, que projetavam uma expansão entre 6% e 8%, impulsionada pelo impacto da Copa do Mundo e por uma base de comparação considerada favorável.
Os analistas da XP afirmaram que os números da divisão vieram praticamente em linha com suas estimativas, mas decepcionaram parte do mercado, uma vez que o efeito positivo do clima e da Copa foi menor do que o esperado. O JPMorgan também destacou que o crescimento de 5% dos volumes ficou aquém de suas projeções e do consenso de investidores, resultando em uma decepção operacional no segmento mais importante da companhia.
A leitura do Bradesco BBI foi cautelosa, apontando que os resultados operacionais vieram abaixo tanto de suas estimativas quanto das expectativas do mercado, apesar da surpresa positiva no lucro líquido. Os analistas ressaltaram que o crescimento consolidado de volumes de 1,4% ficou abaixo do consenso e de suas projeções, enquanto a receita líquida frustrou as expectativas.
Preços vistos na Amazon em 13/08 e sujeitos a alteração. Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.
A principal decepção identificada ocorreu na divisão de cerveja Brasil. Embora os volumes tenham avançado 5% na comparação anual e a companhia tenha continuado a ganhar participação de mercado, o desempenho ficou distante das expectativas mais otimistas entre os investidores. A avaliação é que o ambiente para o consumo continua desafiador, mesmo diante dos estímulos temporários gerados pela Copa do Mundo e de uma base de comparação favorável.
Outro ponto de destaque foi a evolução mais modesta da receita por hectolitro na cerveja brasileira, que avançou apenas 3,8%, indicando que a estratégia de premiumização está funcionando, mas sem a força necessária para compensar totalmente as expectativas elevadas criadas ao longo dos últimos meses. O Bradesco BBI também destacou que o crescimento da receita por hectolitro ficou abaixo de suas projeções, sugerindo que o poder de precificação permanece limitado no mercado brasileiro.
Apesar das dificuldades, a rentabilidade mostrou sinais positivos, com a margem Ebitda consolidada avançando para 31,6%, enquanto na divisão de cerveja Brasil atingiu 33,5%. Esse desempenho foi beneficiado pela inflação mais controlada dos custos de produção, especialmente das commodities, e por despesas por hectolitro inferiores ao esperado. O JPMorgan destacou que o custo por hectolitro da operação brasileira de cerveja avançou apenas 1,4% no trimestre, favorecendo a expansão das margens.
O BBI chamou atenção para a qualidade da expansão das margens, observando que parte da melhora do Ebitda foi sustentada por outras receitas operacionais, que aumentaram como proporção das vendas. Na operação de cerveja Brasil, esse item teve um papel importante na expansão da margem Ebitda, o que poderá levar investidores a questionar a sustentabilidade de parte desses ganhos nos próximos trimestres.
O lucro foi favorecido por fatores financeiros extraordinários. A XP atribuiu parte da surpresa positiva na última linha a ganhos cambiais e receitas financeiras relacionadas a créditos tributários. O Itaú BBA também destacou a qualidade do resultado, observando que a receita financeira superou as expectativas e ajudou a compensar a decepção operacional. O BBI acrescentou que as despesas financeiras líquidas caíram para R$ 486 milhões, muito abaixo do patamar próximo de R$ 1 bilhão observado nos últimos trimestres, o que contribuiu para a forte surpresa positiva do lucro e levanta questionamentos sobre a recorrência desse benefício.
As demais unidades de negócio apresentaram desempenhos diversificados. Na divisão de bebidas não alcoólicas no Brasil, a receita decepcionou, mas as margens mostraram recuperação e a companhia relatou melhora nas tendências de participação de mercado. Na América Central e Caribe (CAC), os resultados foram afetados pela desconsolidação da operação em Cuba e por condições climáticas mais difíceis na República Dominicana. Já na América Latina Sul (LAS), um ambiente econômico mais complicado na Bolívia foi parcialmente compensado por uma execução comercial mais forte na Argentina.


Fonte: InfoMoney – Mercado
Siga nossas redes e entre no nosso canal exclusivo de notícias.






