Estudo do Bradesco BBI com mais de 30 anos de dados aponta 0,5% de chance de crise nos próximos 12 meses — bem abaixo da média histórica de 11%. Modelo 'Two Clocks, One Alarm' reduz temor de recessão em 2027.
Um novo estudo do Bradesco BBI conclui que, apesar das preocupações do mercado sobre uma possível recessão no Brasil em 2027, os dados históricos do mercado acionário brasileiro não sustentam essa tese. O relatório, que analisa mais de três décadas de informações macroeconômicas e de mercado, apresenta um modelo que busca antecipar crises econômicas e financeiras no país.
De acordo com o estudo, a probabilidade de uma crise iniciar nos próximos 12 meses é de apenas 0,5%, um número consideravelmente abaixo da média histórica de 11%. Batizado de “Two Clocks, One Alarm” (“Dois relógios, um alarme”), o relatório foi elaborado pelos estrategistas Pedro Grimaldi e Ben Laidler e se baseia em informações mensais desde 1995, abrangendo 1.419 ações listadas na bolsa brasileira, incluindo empresas que já fecharam ou deixaram de existir.
A principal conclusão do estudo é que crises no Brasil raramente se manifestam sem sinais prévios. Segundo os estrategistas, os indicadores mais relevantes que antecipam crises combinam fatores de valuation e expansão do crédito, complementados por gatilhos de curto prazo, como aumento do risco-país e deterioração da amplitude do mercado.
“Os ingredientes para uma crise sistêmica simplesmente não estão presentes neste momento”, afirmam os estrategistas.
Os analistas do BBI destacam que o ciclo de crédito atual é a principal diferença em relação a períodos anteriores que antecederam crises significativas, como a recessão de 2014. O indicador de crédito em relação ao PIB, que é um dos melhores preditores de crises, encontra-se atualmente em território negativo, distante dos níveis observados antes de episódios severos do passado.
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Além disso, o Bradesco BBI ressalta que o mercado brasileiro está negociando a preços atrativos. O CAPE, que ajusta os lucros ao longo do ciclo econômico, está 1,4 desvio-padrão abaixo da média histórica. As small caps continuam em um estado deprimido, o que é uma situação atípica em momentos de euforia que costumam preceder crises.
Apesar das perspectivas otimistas, o banco identifica alguns pontos de atenção, como a inadimplência das famílias, que permanece elevada e em trajetória de alta. A baixa participação das ações na tendência positiva do mercado também é um sinal técnico que indica fragilidade interna na bolsa.
Entretanto, os estrategistas enfatizam que esses fatores, isoladamente, não são suficientes para sinalizar uma crise iminente. O modelo sugere que seria necessário observar uma deterioração persistente dos indicadores ligados ao crédito e aos gatilhos de curto prazo para que o risco aumentasse de forma significativa.
Outro achado importante do estudo é o papel do setor bancário como indicador antecedente de crises. O múltiplo preço sobre valor patrimonial (P/B) dos bancos demonstrou uma capacidade preditiva superior à do mercado como um todo, aumentando a precisão do modelo.
Com base nesse cenário, o Bradesco BBI reafirmou sua recomendação overweight (exposição acima da média) para o Brasil, considerando o país como a principal aposta entre os mercados latino-americanos. O banco acredita que os investidores ainda subestimam o potencial de valorização que pode ocorrer devido ao ciclo de juros e às perspectivas políticas.
Por fim, a instituição observa que a melhora recente dos lucros corporativos e um posicionamento mais neutro dos investidores estrangeiros podem aumentar a sensibilidade da bolsa a novos fluxos de capital externo, mantendo o portfólio concentrado em empresas que se beneficiam da queda dos juros e da atividade do mercado de capitais.

Fonte: InfoMoney – Mercado
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