O ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa, classificou como 'indevida' a tarifa de 12,5% imposta pelos EUA e afirmou que os argumentos apresentados 'não são reais'. O governo buscará reverter a decisão em negociações e não descarta medidas de reciprocidade.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, se manifestou sobre a nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, classificando-a como “indevida”. Ele destacou que a medida se baseia em argumentos que, segundo ele, “não são reais”.
Em suas declarações, o ministro afirmou que o governo brasileiro buscará reverter essa decisão por meio de negociações com as autoridades estadunidenses. Além disso, ele não descartou a possibilidade de adotar medidas de reciprocidade em resposta à tarifa.
“O Brasil possui uma política consolidada de combate ao trabalho escravo e rejeita as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos”, afirmou o ministro em uma entrevista coletiva.
A nova tarifa foi anunciada no dia 23 de julho de 2026 e entra em vigor nesta sexta-feira, 24 de julho. Para algumas exportações brasileiras, essa nova alíquota será somada à tarifa de 25% que já começou a valer nesta semana.
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Márcio Elias Rosa também comentou sobre os setores que serão afetados pela nova cobrança, que somada gera uma taxa total de 37,5%. Ele lamentou que muitos setores da indústria brasileira, como calçados, máquinas e equipamentos, enfrentarão essa dupla tributação.
Apesar de uma lista de produtos que ficaram isentos das novas tarifas, o ministro ressaltou que alguns produtos, como carne bovina, café, suco de laranja e frutas, permanecem livres tanto da tarifa de 25% quanto da nova sobretaxa de 12,5%. O MDIC informou que cerca de 2 mil produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos ficaram isentos das duas medidas.
O governo brasileiro está focado em manter o diálogo com Washington para tentar reverter essas tarifas. O ministro enfatizou que o país não abrirá mão dos direitos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica, sancionada recentemente, que permite uma resposta a medidas comerciais consideradas injustificadas.
“O Brasil não pode renunciar à possibilidade de usar o instrumento da reciprocidade. Seria abrir mão de um direito que protege a economia brasileira”, disse o ministro.
Por fim, o governo brasileiro está preparando uma estratégia jurídica e diplomática para lidar com os impactos da nova tarifa nas exportações. O ministro anunciou que as conversas com as autoridades dos Estados Unidos devem ser retomadas no próximo mês, após a conclusão do levantamento dos impactos da nova medida.
Enquanto isso, as empresas afetadas poderão contar com recursos do programa Brasil Soberano, que disponibilizou R$ 18,5 bilhões em crédito voltado para capital de giro, investimentos e inovação.
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