O Cenipa divulgou o relatório final em 23/07/2026 sobre o acidente que matou 62 pessoas em agosto de 2024. Conclui que o ATR 72-500 caiu em Vinhedo após falhas no sistema de degelo identificadas em pouso anterior e 'sobrecarga de estímulos'.
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou, no dia 23 de julho de 2026, o relatório final sobre o trágico acidente do avião da Voepass, um ATR 72-500, que vitimou 62 pessoas em agosto de 2024. O voo, que partiu de Cascavel (PR) com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), caiu sobre um condomínio em Vinhedo, resultando na explosão da aeronave e na perda de todos os passageiros e tripulantes a bordo.
A investigação revelou que, antes do acidente, o avião apresentou falhas no sistema de degelo, problema que havia sido identificado em um pouso anterior, mas não registrado no diário de bordo. O Tenente-Coronel Paulo Mendes Fróes, encarregado de apresentar o relatório, destacou que os pilotos frequentemente subestimavam quedas de velocidade nos ATR, que podem ocorrer devido ao acúmulo de gelo.
De acordo com o relatório, havia uma cultura entre os mecânicos de realizar trocas de peças entre aeronaves, mesmo cientes das falhas nos componentes. Os aviões eram muitas vezes liberados para voar, mesmo com problemas identificados, desde que as manutenções fossem realizadas em um prazo determinado, o que nem sempre ocorreu.
O SIPAER (Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) identificou múltiplas falhas relacionadas à manutenção e ao controle das aeronaves da Voepass. A simulação das condições do voo no simulador indicou resultados semelhantes aos do acidente, e um teste adicional em Toulouse, na França, também confirmou a perda de velocidade do avião.
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O relatório indicou que a aeronave tinha condições de operar em gelo, mas não em condições severas. Além disso, os pilotos não deveriam ter decolado devido a um limpador de janela do cockpit quebrado, e o copiloto se esqueceu de ativar os sistemas de degelo, o que foi posteriormente reconhecido durante a gravação da cabine de voo.
Os pilotos ignoraram diversos alertas de perda de performance da aeronave, o que foi atribuído à sobrecarga de estímulos na cabine e desatenção.
O documento ainda ressaltou que os pilotos estavam envolvidos em conversas que não se relacionavam com a operação da aeronave, reduzindo a atenção necessária às condições externas e aos alertas emitidos. Um dos pilotos enfrentava problemas pessoais que impactaram seu estado emocional e sua concentração durante o voo.
O Cenipa observou que a cultura de segurança da Voepass apresentava fragilidades, normalizando desvios operacionais e tratando alertas recorrentes de forma inadequada, o que diminuiu a percepção dos riscos. A investigação concluiu que a operação do voo foi mantida mesmo diante de condições meteorológicas desfavoráveis e sem medidas para mitigar os riscos associados.
Além disso, os registros de falhas anteriores não foram devidamente documentados, e a falta de uma resposta adequada por parte dos pilotos durante a emergência contribuiu para a gravidade da situação. O relatório foi enviado às autoridades competentes na França e no Canadá, assegurando que todas as informações necessárias para a avaliação do acidente fossem compartilhadas.
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