O CMSE aprovou em 22/07/2026 a antecipação de 1,8 GW de cinco geradoras, válida a partir de 1º de setembro. A ação visa reforçar a segurança do sistema diante da previsão de El Niño muito forte (81% entre out-dez).
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) aprovou a antecipação da geração de 1,8 GW de energia adicionais de cinco empresas vencedoras dos leilões de reserva de capacidade. Essa decisão foi tomada nesta quarta-feira, 22 de julho de 2026, e a nova medida entra em vigor a partir de 1º de setembro, visando reforçar a segurança do sistema elétrico do Brasil diante da possibilidade da ocorrência do fenômeno El Niño no segundo semestre deste ano.
O fenômeno climático El Niño é esperado com uma probabilidade de 81% de ser considerado “muito forte” entre os meses de outubro e dezembro, conforme estimativas da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), uma das principais agências de previsão climática do mundo. A ocorrência deste fenômeno pode impactar a produção de energia elétrica na Região Norte, ao mesmo tempo em que eleva o consumo devido às altas temperaturas.
“O volume antecipado é fundamental para garantir a segurança do sistema elétrico brasileiro em 2026 e início de 2027, principalmente prevendo as consequências que podem ser causadas pelo El Niño”, informou o Ministério de Minas e Energia.
A decisão de antecipar a geração de energia também leva em consideração as incertezas geopolíticas do atual cenário de guerras, que podem afetar diretamente os preços dos combustíveis. Estudos do Ministério de Minas e Energia indicam que a utilização de usinas sem contrato (merchant) para suprir a carga geraria custos, no mínimo, 25% superiores em relação às usinas contratadas em leilões.
Os leilões de reserva foram realizados em março deste ano, resultando na contratação de 2,2 GW de energia. O El Niño, que provoca o aquecimento acima da média da superfície do Pacífico equatorial, altera o padrão das chuvas e a circulação dos ventos, causando impactos climáticos significativos.
Especialistas destacam que a Europa já enfrentou a pior onda de calor registrada em junho, o que resultou em interrupções na geração de energia, danos à infraestrutura e sobrecarga nos sistemas de saúde. Essa situação é atribuída às mudanças climáticas, que intensificam os efeitos do El Niño, os quais se farão sentir em diversas regiões até o final deste ano e possivelmente até 2027.
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