Nas últimas décadas, adegas portuguesas modernizaram técnicas e selecionaram castas para elevar a qualidade dos espumantes. Hoje eles disputam espaço internacionalmente, surpreendendo críticos e consumidores.
Os espumantes portugueses, durante muito tempo, estiveram à sombra dos renomados vinhos tranquilos do país. A notoriedade internacional do Vinho do Porto, dos tintos do Douro, dos brancos do Minho e dos elegantes vinhos do Dão fez com que a produção de espumantes fosse, em certa medida, considerada uma atividade secundária. Contudo, nas últimas décadas, uma verdadeira revolução silenciosa ocorreu nas diversas regiões vitivinícolas de Portugal.
Beneficiados pelo aperfeiçoamento técnico das vinhas, pela seleção criteriosa de castas, pelo domínio dos métodos de vinificação e por investimentos significativos em tecnologia, os espumantes lusitanos alcançaram um patamar qualitativo que lhes permite hoje disputar espaço entre os melhores exemplares da Europa. Além disso, mantêm uma identidade própria e oferecem uma das relações mais interessantes entre qualidade e preço no mercado mundial.
A produção de um grande espumante começa nas vinhas, onde as uvas destinadas a essa finalidade são colhidas antecipadamente em relação às utilizadas para vinhos tranquilos, preservando altos níveis de acidez natural e moderado teor de açúcar. A colheita ocorre preferencialmente nas primeiras horas da manhã, quando as temperaturas são mais amenas, reduzindo a oxidação dos frutos. Em várias propriedades, especialmente nas que produzem rótulos de prestígio, a vindima é realizada manualmente, permitindo uma rigorosa seleção dos cachos no campo.
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Após chegarem à adega, as uvas são submetidas a uma prensagem delicada, visando extrair apenas o mosto-flor, que é mais puro e contém menor concentração de compostos fenólicos. Segue-se a primeira fermentação alcoólica, geralmente em cubas de aço inoxidável sob rigoroso controle de temperatura, embora alguns produtores optem por barricas de carvalho para conferir maior complexidade aos vinhos-base. Após essa etapa, realiza-se o assemblage, que consiste na combinação de diferentes castas e parcelas, buscando alcançar o estilo desejado pelo enólogo.
Em Portugal, predominam dois métodos de elaboração. O mais prestigiado é o tradicional, também conhecido como clássico, em que a segunda fermentação ocorre na própria garrafa. Após a adição do licor de tiragem, as garrafas permanecem meses, e muitas vezes anos, em contato com as borras. Esse processo, conhecido como autólise, é responsável pelos aromas de pão torrado e brioche que caracterizam os grandes espumantes. Em seguida, ocorre o remuage, que concentra os sedimentos junto ao gargalo, seguido do dégorgement, em que esses depósitos são expulsos pela pressão interna.
No que diz respeito às harmonizações, os espumantes ocupam um espaço muito mais amplo do que apenas nos brindes de Ano-Novo. Eles são apreciados em celebrações familiares, casamentos, formaturas e festividades religiosas, sendo excelentes acompanhamentos para pratos variados, como peixes, mariscos e queijos. A Bairrada, reconhecida como a capital dos espumantes portugueses, destaca-se por seus solos argilo-calcários e clima atlântico, produzindo vinhos com acidez vibrante e grande capacidade de envelhecimento.
Na região do Douro, conhecida pelo Vinho do Porto, os espumantes apresentam um perfil distinto, com ênfase na elegância e mineralidade, enquanto no Minho, a produção de espumantes, impulsionada pelo clima fresco, resulta em vinhos delicados e aromáticos. Com essa diversidade e qualidade, os espumantes portugueses estão prontos para conquistar o paladar de apreciadores ao redor do mundo.
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