O MDIC afirma que as tarifas anunciadas em julho atingem 23,1% das exportações brasileiras para os EUA. Tarifa de 25% incide sobre 1,9% (ex.: açúcar), a sobretaxa de 12,5% sobre 4,7% e 52,7% permanecem sem novas tarifas.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informou que, combinadas, as novas tarifas dos Estados Unidos, anunciadas em julho, atingem 23,1% das exportações brasileiras ao país. A nota detalhou que 52,7% das exportações permanecem sem tarifas adicionais setoriais ou específicas contra o Brasil.
A distribuição das exportações afetadas é a seguinte:
1. Tarifa de 25% – 1,9% das exportações são atingidas apenas pela tarifa de 25% (Seção 301-Brasil), abrangendo produtos como o açúcar.
2. Sobretaxa de 12,5% – 4,7% das exportações são alcançadas exclusivamente pela sobretaxa de 12,5% (Seção 301 para 60 maiores parceiros comerciais, devido a práticas associadas ao trabalho forçado). Isso inclui obras de pedra, gesso, minérios, óleos essenciais e produtos de perfumaria, além de pescados.
3. Sobretaxa acumulada de 37,5% – 16,5% das exportações estão sujeitas simultaneamente às duas medidas, com produtos como máquinas, equipamentos, vários tipos de madeira, gorduras, óleos, calçados, móveis e confecções.
Além disso, 24,2% dos produtos são sujeitos a tarifas específicas, aplicadas em regra a todos os países (com base na Seção 232).
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Assim, cerca de 52,7% das exportações brasileiras para os Estados Unidos não estão abrangidas por sobretaxas setoriais (Seção 232) ou tarifas amplas ou específicas aplicadas no âmbito da Seção 301, permanecendo apenas sujeitas às tarifas ordinárias dos EUA. Nessa categoria estão itens como café, carnes, ferro fundido, aeronaves, suco de laranja, frutas, produtos químicos e a maior parte das exportações de celulose.
A primeira decisão (Seção 301-Brasil) refere-se a uma investigação específica conduzida pelos EUA em relação ao Brasil, resultando na sobretaxa de 25% para determinados produtos brasileiros. Esta medida entrou em vigor no dia 22 de julho, mas não se aplica a mercadorias embarcadas antes dessa data, desde que ingressem em território norte-americano até 29 de julho.
A Seção 301 aplicada aos 60 maiores parceiros comerciais refere-se a práticas relacionadas à prevenção e combate ao trabalho forçado nas cadeias globais de suprimentos, resultando em sobretaxa adicional de 10% ou 12,5% para importações de países que, segundo a avaliação dos EUA, não adotam medidas suficientes para coibir a entrada de produtos associados ao trabalho forçado.
As sobretaxas de 12,5% (ou 10%) e de 25% da Seção 301 se acumulam quando incidentes sobre o mesmo produto, enquanto não se aplicam a mercadorias sujeitas às medidas tarifárias da Seção 232.
O MDIC também destacou uma desaceleração nas trocas comerciais Brasil-EUA, após níveis historicamente elevados nos últimos anos. Esses dados indicam uma redução nas exportações brasileiras, que caíram de US$ 40,4 bilhões em 2024 para US$ 37,7 bilhões em 2025, e continuaram a declinar ao longo de 2026, impactadas pelas sobretaxas.
No primeiro semestre de 2026, as exportações do Brasil para os Estados Unidos totalizaram US$ 17,4 bilhões, uma queda de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior. A redução foi influenciada pela diminuição dos embarques de óleos brutos de petróleo e produtos semiacabados, com retrações significativas.
Como consequência, a participação dos EUA nas exportações brasileiras diminuiu de 12,1% para 9,4% entre os semestres de 2025 e 2026, e de 12,0% em 2024 para 10,8% em 2025.
As importações brasileiras de produtos dos Estados Unidos também mostraram retração, contribuindo para uma redução de 12,8% na corrente de comércio bilateral.
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