Generation Lab ofereceu a um grupo restrito participação no protocolo 1 Generation, que mistura dois medicamentos. A ficha técnica afirma que a injeção 'reativa' reparo celular e rejuvenesce tecidos.
Uma empresa chamada Generation Lab ofereceu a um grupo restrito a oportunidade de participar de um protocolo com um novo tratamento injetável, batizado pela empresa de 1 Generation, que combina dois medicamentos já existentes. A oferta era para uma “coorte privada” e, segundo a apresentação da empresa, incluía acompanhamento médico.
A ficha técnica distribuída pela empresa afirma que o tratamento:
“bloqueia a propagação sistêmica do envelhecimento na corrente sanguínea, reativa o mecanismo de reparo do próprio corpo e restaura a saúde e a juventude de múltiplos tecidos”.
Durante uma teleconferência, Alina Su, CEO da Generation Lab, disse que a oferta estava sendo estendida a um número limitado de pessoas e que havia uma longa lista de espera. Ela também afirmou:
“Então estamos muito animados para criar esse medicamento e (estamos) informando que esse primeiro tratamento de longevidade no corpo humano está aqui e está realmente funcionando.”
O tom da apresentação, o caráter exclusivo da coorte e a recusa da empresa em divulgar quais são os dois medicamentos levantaram cautela entre observadores e cientistas. Apesar do entusiasmo, a proposta tinha fortes sinais de campanha de marketing e falta de informações verificáveis.
Irina Conboy, fundadora científica da Generation Lab, é pesquisadora conhecida por estudos que investigam se sinais circulantes podem transferir características de juventude entre animais. A própria Conboy, segundo relatos, tem tomado a combinação de medicamentos nos últimos dois meses e disse sentir-se com mais energia. Entre os demais participantes citados estão Alina Su, de 26 anos, e Michael Conboy, marido e colaborador científico de Irina.
Relato de supostos benefícios
- Melhora da visão — descrita em uma mulher de 64 anos.
- Maior resistência para atividades — sessões mais longas de jardinagem para um homem de 59 anos e partidas de badminton mais longas.
- Melhora na força de preensão — maior firmeza ao pegar objetos com as mãos.
- Mudanças na função sexual — ereções relatadas como melhores do que com Viagra.
- Aumento dos movimentos intestinais — citado entre os efeitos relatados.
A empresa informou que pretende lançar um estudo maior envolvendo cem pessoas ou mais. Contudo, chamou atenção que houve administração do medicamento a outras pessoas antes de existirem evidências sólidas de benefício e que o estudo será conduzido por médicos de longevidade que oferecem práticas consideradas alternativas por alguns observadores.
Entre os profissionais envolvidos está Matt Cook, fundador da rede de clínicas BioReset Medical. Relatos indicam que, no passado, ele recomendou tratamentos contra a Covid-19 que foram classificados como fraudulentos pela Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos. Cook afirmou que inicialmente não acreditava que a combinação funcionaria, mas que ele próprio tomou o tratamento e notou efeitos:
“Minha confiança de que isso funcionaria era zero. Eu realmente não acreditava que fosse funcionar.”
“Preciso dizer que foi a coisa mais surpreendente que já aconteceu comigo.”
Segundo Cook, após injeções semanais ele experimentou sensação de clareza mental por dias; outros participantes relataram bem-estar e redução de dores antigas. Ele também declarou que ainda tem mais perguntas do que respostas sobre o mecanismo.
Antes de ingressar na Generation Lab em tempo integral, no ano de 2025, Irina Conboy teve uma longa carreira na Universidade da Califórnia, em Berkeley, onde ganhou notoriedade por uma série de experimentos destinados a investigar sinais de juventude e envelhecimento na circulação sanguínea.
Em um contexto onde tratamentos que prometem reversão do envelhecimento atraem enorme interesse, a abordagem divulgada pela Generation Lab exige verificação rigorosa. Protocolos randomizados, dados revisados por pares e aprovação regulatória são passos essenciais para separar resultados reais de expectativa e marketing. Pessoas interessadas em intervenções de longevidade devem consultar profissionais de saúde qualificados e buscar evidência científica robusta antes de considerar tratamentos experimentais.
A notícia foi publicada em 02/09/2026.

Fonte: MIT Tech Review Brasil
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