Plano Brasil Soberano libera R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas brasileiras afetadas por tarifas dos Estados Unidos. Serão R$ 13,5 bi do Tesouro e R$ 5 bi do BNDES para financiar apoio e reestruturação.
O governo federal anunciou, nesta quarta-feira (22), uma nova fase do Plano Brasil Soberano, que oferece R$ 18,5 bilhões em linhas de financiamento a empresas brasileiras impactadas por tarifas impostas pelos Estados Unidos.
A iniciativa visa apoiar setores que enfrentam dificuldades devido a conflitos internacionais e medidas protecionistas. De acordo com o governo, serão disponibilizados R$ 13,5 bilhões em recursos do Tesouro Nacional, complementados por R$ 5 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Os recursos poderão ser utilizados para diversas finalidades, incluindo capital de giro, aquisição de bens de capital, investimentos produtivos, inovação tecnológica, adaptação de produtos e processos, além de prospecção e abertura de novos mercados.
Uma nova Medida Provisória, que será assinada pelo presidente Lula, será encaminhada ao Congresso Nacional nesta quarta-feira para viabilizar os recursos.
Além disso, o presidente sancionará um projeto de lei que amplia o escopo dos beneficiários, permitindo que exportadores da agricultura, pecuária, florestas plantadas, pesca, aquicultura, mineração, cooperativas e associações vinculadas a essas atividades possam acessar os financiamentos.
A nova tarifa americana direcionada ao Brasil entrou em vigor nesta quarta-feira (22), enquanto outros parceiros comerciais dos EUA se preparam para uma nova rodada de medidas tarifárias, em virtude do vencimento das tarifas temporárias impostas pelo presidente Donald Trump.
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A tarifa de 25% sobre o Brasil surge após uma investigação dos Estados Unidos, que acusou o gigante brasileiro de práticas comerciais desleais. Essa ação gerou críticas, mas o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o país buscará resolver a situação por meio de negociações, evitando represálias.
Embora vários produtos, como carne bovina, café e peças de aviões, fiquem isentos, estima-se que cerca da metade das exportações do Brasil para os Estados Unidos continue livre de tarifas, segundo Valentina Sader, do centro de estudos Atlantic Council. Contudo, essa medida ocorre em um contexto em que Trump intensifica o uso de tarifas como forma de pressão, o que gera preocupações sobre represálias e tensões comerciais.
A imposição das tarifas ao Brasil, segundo os Estados Unidos, reflete a falta de negociação de boa-fé por parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que sugere que a medida possui um componente político. Este assunto se torna um ponto central de conflito na campanha para as eleições presidenciais que ocorrerão em outubro no Brasil.
A Câmara de Comércio Americana para o Brasil alerta que essa decisão afeta mais de 11 bilhões de dólares (55,85 bilhões de reais) em exportações brasileiras.
Além das tarifas direcionadas ao Brasil, Trump anunciou tarifas de 100% sobre medicamentos genéricos importados, que entrarão em vigor em agosto de 2028, com uma elevação para 200% em 2029.
Uma ofensiva mais ampla está prevista, já que, em junho, as autoridades propuseram tarifas de 10% a 12,5% a 60 parceiros comerciais por alegações de descumprimentos na luta contra o trabalho forçado.
Recentemente, o governo americano também anunciou tarifas adicionais direcionadas ao Canadá, um dos principais parceiros comerciais dos EUA, com uma sobretaxa de 50% devido a ações de retaliação por parte de Ottawa.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que está avaliando todas as opções para responder a essas novas tarifas.
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