Uma investigação conduzida pelo jornalista francês Jean-Marc Manach revelou a existência de mais de 15 mil sites em francês que se apresentam como veículos de imprensa, mas que na verdade publicam conteúdo gerado por inteligência artificial (IA). Essa apuração destaca um fenômeno crescente onde páginas da web reescrevem reportagens de outros meios, fabricam notícias e atribuem textos a jornalistas inexistentes.
Manach compartilhou suas descobertas em uma entrevista com a Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias (WAN-IFRA). O trabalho investigativo teve início em 2024, quando o jornalista começou a receber links de portais de notícias desconhecidos através do Google Alerts. Movido pela curiosidade e pela preocupação com a qualidade da informação, ele decidiu mapear esses sites e publicar suas descobertas no seu portal, o Next.ink.
O levantamento não se limitou apenas ao francês; também foram identificados cerca de 1,5 mil sites em inglês, mais de 200 em alemão e 130 em espanhol. A maioria dessas páginas pertence a redes geridas por especialistas em otimização de mecanismos de busca, que utilizam ferramentas de IA para produzir milhares de textos diariamente.
Em muitos casos, os sites apenas reescrevem reportagens de veículos tradicionais. Porém, em outros, a inteligência artificial vai além, criando informações falsas que misturam fatos verdadeiros com dados inventados, sempre assinadas com nomes de jornalistas fictícios para transmitir uma falsa credibilidade.
Preços vistos na Amazon em 09/08 e sujeitos a alteração. Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.
“Essas redes prejudicam o ecossistema da informação ao competir diretamente com reportagens produzidas por redações profissionais”, afirmou Manach.
O objetivo dessas operações é claro: aparecer entre os primeiros resultados em plataformas como Google Discover e outros mecanismos de busca, aumentando assim o número de acessos e, consequentemente, a receita com publicidade digital.
Uma única operação consegue administrar milhares de páginas com pouca intervenção humana, automatizando a produção, publicação e distribuição de conteúdos através de ferramentas de IA. Isso tem gerado uma preocupação crescente entre profissionais da área, já que alguns desses sites são capazes de superar veículos tradicionais nos resultados de busca.
Para ajudar os leitores a identificar essas páginas enganosas, a equipe do Next.ink desenvolveu uma extensão gratuita para navegadores que alerta quando um domínio faz parte do banco de dados de sites alimentados por IA. Além disso, a WAN-IFRA defendeu uma maior cooperação entre empresas jornalísticas para compartilhar métodos de verificação e pressionar plataformas digitais a adotar mecanismos mais eficazes contra a proliferação desse tipo de conteúdo.
Siga nossas redes e entre no nosso canal exclusivo de notícias.






