Márcio Elias Rosa afirmou que o Brasil seguirá negociando para evitar a tarifa de 25% aplicada pelos EUA e quer ampliar isenções da taxa de 12,5% por suspeita de trabalho forçado. Lula pediu negociação incessante.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, declarou que o governo brasileiro seguirá as negociações para evitar a imposição da tarifa de 25% aplicada pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Em paralelo, o Brasil trabalhará para ampliar a lista de isenções à tarifa de 12,5% que é aplicada ao Brasil e a outros países devido a supostas falhas no combate à importação de bens produzidos com trabalho forçado.
Durante uma coletiva de imprensa, o ministro enfatizou que a orientação do presidente Lula é continuar negociando incessantemente. Ele afirmou:
“O presidente Lula orienta continuar negociando, negociando, negociando, para quê? Afastar a imposição dos 25% que já foram decididos naquela seção própria do Brasil, e para que a gente possa ter, nessa decisão de hoje, a ampliação da lista de exceções.”
Entre os itens que estão na pauta exportadora brasileira e que podem ser excetuados estão a carne bovina e o café, que são considerados produtos sensíveis à inflação americana. Essa lista de exceção se aplica a todos os países que estão sob a mesma medida.
Quando questionado sobre a pressão do empresariado brasileiro para que o governo não utilize a Lei de Reciprocidade em relação aos EUA, o ministro respondeu que o governo não pode abrir mão dessa possibilidade. Ele disse:
“O governo brasileiro não pode renunciar à possibilidade de usar o instrumento da reciprocidade, porque seria abrir mão de um direito que protege a economia brasileira, os interesses do Brasil.”
O ministro também destacou que o governo não hesitará em usar a reciprocidade caso necessário, especialmente para setores afetados pelas tarifas americanas, como a indústria madeireira. Ele descreveu a tarifa de 12,5% como
“indevida, ilegítima e ilegal,”
afirmando que se baseia em informações não reais.
Elias informou que cerca de 2 mil produtos exportados para os Estados Unidos não estarão sujeitos à nova tarifa de 12,5% ou à sobretaxa de 25%. Contudo, outros produtos, como celulose e pescados, enfrentarão a tarifa de 12,5%, enquanto alguns podem ter uma carga tributária de até 37,5%.
Ele ressaltou que o Brasil possui compromissos históricos no combate ao trabalho forçado e que todos os acordos internacionais celebrados pelo Brasil contêm regras específicas para evitar a comercialização de bens produzidos com trabalho forçado.
O ministro também comentou sobre o plano Brasil Soberano 3, que foi lançado recentemente, afirmando que ele está preparado para acolher os setores afetados pelas tarifas. Ele garantiu que a regulamentação permitirá a inclusão ou exclusão de setores conforme necessário.
Por fim, ele reiterou que a prioridade do governo é apoiar os setores prejudicados e prepará-los para diversificarem seus mercados, além de se preparar para as manifestações que serão feitas à Organização Mundial do Comércio (OMC).
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