A Polícia Federal (PF) acionou a Interpol com o objetivo de localizar os bens e ativos do proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, na América do Norte e na Europa. Essa iniciativa faz parte de uma investigação mais ampla relacionada a corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes associados ao Banco Master.
A PF utilizou a ferramenta Silver Notice (Alerta Prata), um mecanismo da Interpol que auxilia na busca por bens de indivíduos investigados ou condenados por crimes financeiros. Os investigadores estão na expectativa de identificar um patrimônio significativo que esteja relacionado às atividades suspeitas do conglomerado empresarial.
O pedido à Interpol inclui a solicitação de informações sobre imóveis, empresas, contas bancárias, embarcações e aeronaves que estejam em nome de Vorcaro ou de empresas vinculadas a ele. Esses dados serão essenciais para embasar futuros bloqueios e confiscos, caso a Justiça confirme a origem ilícita dos bens.
A PF afirma que ainda não tem conhecimento completo sobre o patrimônio de Vorcaro no exterior. Essa falta de informação impediu a concretização de um acordo de colaboração premiada com a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR). De acordo com a investigação em curso, o empresário omitiu a localização de seus ativos e permanece detido em Brasília.
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A Polícia Federal suspeita que Vorcaro tenha distribuído parte de seu patrimônio em imóveis e fundos de investimento no exterior, incluindo em paraísos fiscais. Além disso, a corporação expressa preocupação quanto à ocultação de bens por meio de vendas ou pelo uso de intermediários.
No ano de 2024, Vorcaro declarou um patrimônio de R$ 2,4 bilhões à Receita Federal, mas a PF considera que o valor real pode ser ainda maior. Liquidantes identificaram uma mansão avaliando em R$ 180 milhões na Flórida, quando o pai de Vorcaro, Henrique Vorcaro, tentou vender o imóvel. Essa transação foi descoberta pela administradora EFB Regimes Especiais, que também investiga Henrique na Operação Compliance Zero.
Em abril, a Justiça dos Estados Unidos autorizou o liquidante do banco a consultar instituições financeiras norte-americanas para localizar dinheiro, imóveis e obras de arte que estejam vinculados a Vorcaro.
A Operação Compliance Zero foi deflagrada em 18 de novembro de 2025, no mesmo dia em que o Banco Central liquidou o Banco Master e outras duas instituições do grupo. A Justiça revogou a prisão de Vorcaro no final do mesmo mês, mas a PF voltou a detê-lo em março de 2026. A investigação também examina a tentativa de venda de ativos do Master ao Banco de Brasília (BRB) por R$ 12 bilhões, bem como a suposta captação irregular de recursos de regimes próprios de previdência de servidores públicos mediante pressão política. A defesa de Vorcaro, no entanto, nega as acusações, e o caso menciona autoridades e políticos em suas apurações.
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