Investigação federal revela que falhas estruturais no Champlain Towers South antecederam em semanas o colapso que matou 98 pessoas. O NIST concluiu cinco anos de análises sobre a tragédia.
Quase cinco anos após uma das tragédias estruturais mais impactantes da história dos Estados Unidos, investigadores federais trouxeram à luz novas informações sobre o colapso do condomínio Champlain Towers South, em Surfside, na Flórida. O relatório final, divulgado nesta semana, revela que a sequência de falhas estruturais teve início cerca de três semanas antes do desastre que resultou na perda de 98 vidas.
Elaborado pelo Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos (NIST), o documento é o resultado de cinco anos de minuciosas análises, testes de engenharia e avaliações de milhares de documentos. Os especialistas concluíram que o processo de colapso começou no início de junho de 2021, um momento que antecedeu a tragédia e que passou despercebido por moradores e administradores do prédio.
Os investigadores identificaram que duas conexões estruturais entre colunas da garagem e a laje da área da piscina falharam semanas antes do colapso. Após essa falha inicial, fissuras começaram a se espalhar pela estrutura, redistribuindo cargas para outras partes do edifício de forma gradual, mas invisível.
Os engenheiros descreveram o processo como um “efeito dominó em câmera lenta”, onde a estrutura deteriorou-se silenciosamente ao longo de 21 dias, até atingir o ponto de não retorno.
Na madrugada de 24 de junho, a laje da piscina cedeu completamente, provocando o colapso em cadeia de grande parte da torre residencial. O relatório também destacou que o edifício apresentava vulnerabilidades desde sua construção nos anos 1980, com margens de segurança inadequadas e não conformidade com os padrões técnicos da época. Além disso, algumas etapas da construção foram realizadas de maneira divergente do que os projetos estruturais previam.
Fatores adicionais, como a adição de grandes jardins e revestimentos pesados na área da piscina nos anos 1990, exacerbaram as fragilidades estruturais. Esse peso extra não foi considerado nos cálculos estruturais e aumentou significativamente a carga sobre uma laje já comprometida.
Outro ponto crítico abordado no relatório é a corrosão causada pela constante exposição à umidade e à maresia, que enfraqueceu elementos essenciais da estrutura. Localizado a poucos metros do Oceano Atlântico, o Champlain Towers South estava em uma das áreas mais suscetíveis à corrosão marinha no sul da Flórida.
Os sinais de alerta observados nos dias e semanas que antecederam o colapso também foram destacados. Moradores relataram aumento de infiltrações, vazamentos na garagem e portões com mau funcionamento, mas infelizmente, nenhum desses sinais foi interpretado como um indicativo de risco iminente.
A tragédia mobilizou equipes de resgate de vários países e resultou em uma das maiores operações de busca da história recente da Flórida, com mais da metade dos 136 apartamentos do prédio sendo destruídos. As operações de resgate duraram semanas até que os corpos das 98 vítimas fossem encontrados.
Além do impacto humano, o desastre levou a mudanças significativas na legislação estadual, com a Flórida aprovando novas exigências para inspeções estruturais de condomínios antigos e estabelecendo regras mais rigorosas para reservas financeiras destinadas a reparos e manutenção de edifícios.
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