O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta 4.549 casos de bullying e 677 de ciberbullying em 2025. As ocorrências cresceram 68,2% e 61,4%, respectivamente, e pedem ações imediatas nas escolas e online.
Os dados apresentados no 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado hoje, revelam um crescimento alarmante nos registros de bullying e ciberbullying contra crianças e adolescentes no Brasil, com um aumento de 68,2% em comparação a 2024. No total, foram contabilizadas 4.549 ocorrências de bullying, enquanto os casos de ciberbullying subiram 61,4%, alcançando 677 registros. Este panorama é preocupante e reflete a necessidade urgente de intervenções efetivas para proteger os jovens em ambientes escolares e digitais.
O bullying é caracterizado por agressões repetitivas, sejam físicas, verbais ou psicológicas, com o objetivo de intimidar ou humilhar a vítima. O ciberbullying, por sua vez, se manifesta em plataformas digitais, como redes sociais e aplicativos de mensagens. O Anuário associa parte desse aumento à implementação da Lei nº 14.811/2024, que tipificou criminalmente essas práticas, contribuindo para uma maior visibilidade das ocorrências.
O levantamento também aponta que 48% das vítimas de bullying têm entre 10 e 13 anos, enquanto 45% estão na faixa de 14 a 17 anos. No caso do ciberbullying, a maioria das vítimas (57%) são adolescentes entre 14 e 17 anos. Esses números destacam a vulnerabilidade dos jovens em relação a essas formas de violência, tanto no ambiente escolar quanto no digital.
Além do aumento do bullying, o Anuário revela um crescimento nos registros de maus-tratos a crianças e adolescentes. No último ano, o Brasil contabilizou 38.986 ocorrências de maus-tratos, o que representa um aumento de 14,6% em comparação ao ano anterior. Desde 2021, esse número cresceu 106,1%, evidenciando um problema que precisa ser enfrentado com seriedade.
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A análise dos dados indica que as crianças mais novas são as principais vítimas, com 59,1% das ocorrências envolvendo crianças de até 9 anos. O crescimento é notável em todas as faixas etárias, com 16,3% de aumento entre crianças de 0 a 4 anos e 14,9% entre aquelas de 5 a 9 anos, além de 10,9% entre crianças de 10 a 13 anos e 17,2% entre adolescentes de 14 a 17 anos.
Outros indicadores de violência no ambiente familiar também apresentaram aumento significativo. Os casos de lesão corporal dolosa em contextos de violência doméstica contra crianças e adolescentes cresceram 5,5%, totalizando 21.811 registros. Ocorrências de abandono de incapaz aumentaram 18,5%, chegando a 14.815 casos, enquanto os registros de subtração de crianças e adolescentes subiram 33,7%, com 1.866 ocorrências.
O Anuário também destaca um aumento preocupante nos crimes de abuso sexual infantil na internet, com 4.063 casos registrados em 2025, o que representa um aumento de 25,3% em relação a 2024 e de 176,7% quando comparado a 2021. A maioria das vítimas (84,2%) era do sexo feminino, e 51,2% eram brancas, enquanto 48,2% eram negras.
Em contrapartida, os registros de estupro e estupro de vulnerável contra crianças e adolescentes apresentaram uma redução de 5,5% em relação a 2024, com um total de 61.076 vítimas. Apesar dessa queda, a maior parte das vítimas de estupro ainda é composta por pessoas de até 17 anos, representando 76,6% dos casos.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública sugere que o aumento nos registros de crimes não letais pode ser um reflexo tanto do fortalecimento dos mecanismos de denúncia quanto da persistência de práticas de agressão e negligência nas relações familiares. A crescente visibilidade da violência pode ser atribuída a uma intolerância social em relação a violações que foram historicamente banalizadas.
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