Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo e pré-candidato, declarou em coletiva que confia no sistema eletrônico de votação. A fala respondeu às acusações de Flávio Bolsonaro sobre suposta manipulação nas urnas, sem provas.
O governador de São Paulo e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), manifestou sua confiança nas urnas eletrônicas durante uma coletiva de imprensa realizada na quarta-feira, 22. Sua declaração surge como resposta às falas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que, em um evento com embaixadores estrangeiros, sugeriu que as urnas brasileiras poderiam estar associadas a suspeitas de manipulação eleitoral na Venezuela, sem apresentar provas concretas.
“Olha, eu confio nas urnas. Até porque, se eu não confiasse, não estava disputando a eleição, né? Foram as urnas que me trouxeram aqui”, declarou Tarcísio.
O governador destacou a importância de focar em projetos e soluções para o Brasil, em vez de se perder em discussões que, segundo ele, não levariam a lugar algum. O evento em que Tarcísio se pronunciou foi uma comemoração dos 25 anos da BandNewsTV, que contou com a presença de figuras políticas como o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), e outros ministros e líderes locais.
No dia anterior, Flávio Bolsonaro fez declarações em um evento denominado “Debatendo o Brasil”, onde mencionou a inelegibilidade do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2023, em decorrência de uma reunião com embaixadores. Durante seu discurso, ele repetiu informações consideradas falsas sobre o sistema eleitoral brasileiro.
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Flávio referiu-se a um documento da CIA que levantava suspeitas sobre as eleições na Venezuela em 2010, afirmando que parte das urnas no Brasil teria a mesma origem da empresa Smartmatic, mencionada no relatório. O TSE já havia negado essa associação em uma nota divulgada em 2020, assegurando que o sistema de votação brasileiro é gerido exclusivamente pela Justiça Eleitoral.
As declarações de Flávio geraram um movimento jurídico por parte da Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PCdoB e PV, que protocolou uma representação no TSE nesta quarta-feira, alegando que o senador divulgou informações errôneas. O grupo argumenta que o relatório da CIA mencionado por Flávio se refere apenas à atuação da Smartmatic na Venezuela e não ao sistema eleitoral do Brasil.
A ação judicial solicita que o TSE determine, em caráter liminar, a remoção de publicações relacionadas ao tema feitas por Eduardo Bolsonaro, Gustavo Gayer (PL-GO) e Júlia Zanatta (PL-SC). Além disso, os partidos pedem que os quatro parlamentares sejam proibidos de associar a Smartmatic às urnas brasileiras, sob pena de multa de R$ 30 mil cada ao final do processo.
Tarcísio também abordou a relação de Flávio com uma tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Ele enfatizou que Flávio “não tem nada a ver” com essa nova tarifa e que é necessário deixar de lado a busca por narrativas, focando na realidade comercial dos interesses dos países envolvidos.
“A gente tem que procurar deixar de ficar procurando narrativa para entender a coisa sob o prisma comercial”, disse Tarcísio.
As declarações de Tarcísio refletem uma tentativa de estabilizar o debate sobre a confiança nas urnas e a situação comercial do Brasil em meio a um contexto eleitoral conturbado.
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