Desenvolvedores do uBlock Origin anunciaram que vão suspender a manutenção de filtros voltados ao Facebook. A Meta muda constantemente a estrutura das páginas, dificultando a identificação de anúncios.
O uBlock Origin, uma renomada extensão de bloqueador de anúncios, tomou a decisão de interromper suas atualizações específicas para anúncios no Facebook. Essa medida foi adotada após anos de tentativas frustradas de acompanhar as recorrentes mudanças implementadas pela Meta, que dificultam a identificação de publicidades digitais.
Os desenvolvedores do uBlock Origin confirmaram que a Meta está constantemente alterando a estrutura das páginas do Facebook, o que torna a identificação dos anúncios um desafio crescente para as ferramentas de bloqueio. Embora essa decisão indique uma mudança significativa na estratégia do projeto, não significa que a extensão deixará de ser funcional como um todo. Os usuários ainda poderão bloquear outros tipos de anúncios em diferentes plataformas.
“A Meta modifica continuamente a estrutura das páginas do Facebook para driblar bloqueadores”, afirmou um membro do projeto.
A batalha entre a Meta e os bloqueadores de anúncios não é novidade. Nos últimos anos, a empresa tem utilizado diversas técnicas para complicar a leitura dos anúncios por extensões de navegador. O uBlock Origin, que está disponível para navegadores como Google Chrome, Firefox, Microsoft Edge e Opera, enfrenta desafios constantes à medida que a Meta implementa novas estratégias.
Uma das táticas identificadas é a fragmentação de termos como “Patrocinado”, que são divididos em letras separadas dentro do código da página. Além disso, a Meta também estaria incluindo caracteres falsos e alterando aleatoriamente a ordem das letras no código-fonte. Essas medidas foram vistas como parte de uma guerra de códigos, onde os bloqueadores têm que se adaptar constantemente a cada nova correção feita pela Meta.
Com a decisão de não atualizar mais as listas oficiais de filtragem para o Facebook, os desenvolvedores principais do uBlock Origin continuarão aceitando contribuições voluntárias de usuários externos. Entretanto, é importante ressaltar que a extensão já havia enfrentado desafios técnicos, deixando de funcionar no Google Chrome após a migração para o novo padrão Manifest V3, e a Microsoft também anunciou a descontinuação do suporte no Edge.
A Meta, por sua vez, enfrenta um crescente escrutínio em relação à supervisão de seus anúncios. Críticas surgiram de reguladores e entidades de proteção digital, especialmente após a Comissão de Jogos do Reino Unido acusar a empresa de permitir a veiculação de anúncios de cassinos online ilegais nas suas plataformas. Além disso, investigações recentes revelaram que a Meta aprovou anúncios com conteúdo impróprio, como material explícito de abuso sexual infantil gerado por inteligência artificial.
Essas questões levantam preocupações sobre a eficácia da supervisão da Meta em relação aos conteúdos publicitários veiculados em suas plataformas, com muitos usuários e entidades exigindo maior responsabilidade.
Fonte: Tecnoblog
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