Apesar da queda nas ações, a Nvidia lança novos chips e afirma estar preparada para o futuro da IA.
SAN JOSE, Estados Unidos (Reuters) – A Nvidia (NASDAQ:NVDA) revelou nesta terça-feira novos processadores, incluindo uma família que combina funções de GPU e CPU. Durante a conferência anual de desenvolvedores da empresa, em San Jose, Califórnia, o CEO Jensen Huang destacou que a companhia está bem posicionada para acompanhar a evolução da inteligência artificial.
Huang defendeu a liderança da Nvidia no setor de chips para IA, respondendo a questionamentos de investidores após a chinesa DeepSeek desenvolver um chatbot com menos chips de IA. No entanto, sua apresentação não foi suficiente para tranquilizar o mercado. As ações da Nvidia caíram 3,4%, enquanto o índice de chips encerrou com recuo de 1,6%.
“Quase o mundo inteiro entendeu errado”, afirmou Huang no palco, vestindo sua icônica jaqueta de couro preta e jeans. Ele classificou a conferência como “o Super Bowl da IA”.
“A quantidade de computação que precisamos como resultado da IA agêntica, como resultado do raciocínio, é facilmente 100 vezes maior do que pensávamos que precisávamos no ano passado”, disse, referindo-se a agentes autônomos de IA que exigem pouca intervenção humana para tarefas rotineiras.
Os chips da Nvidia enfrentam desafios à medida que o mercado de IA migra do estágio de “treinamento”, em que modelos são desenvolvidos com grandes volumes de dados, para a fase de “inferência”, quando esses modelos aplicam seus conhecimentos para responder aos usuários.
Grande parte do sucesso da empresa decorre de anos de investimento no desenvolvimento de ferramentas de software para pesquisadores e desenvolvedores de IA. No entanto, foram os chips para data centers, vendidos por dezenas de milhares de dólares cada, que impulsionaram a maior parte dos US$ 130,5 bilhões em receita da Nvidia no último ano.
Nos últimos três anos, as ações da empresa mais que quadruplicaram em valor, impulsionadas pelo avanço de sistemas avançados de IA, como ChatGPT e Claude.
“Acho que a orientação dos investidores foi que muitas dessas notícias já estavam precificadas”, comentou Ben Bajarin, CEO da consultoria Creative Strategies. Ele acrescentou que, embora a Nvidia sustente que o futuro da IA será baseado em seus chips, essa visão de longo prazo não altera as expectativas do mercado no curto prazo. “A narrativa deles continua basicamente a mesma”, afirmou.
Novos Chips
Huang anunciou uma nova geração de chips, incluindo o Blackwell Ultra, uma GPU avançada com mais memória do que a atual geração Blackwell. O lançamento está previsto para o segundo semestre deste ano e permitirá o processamento de modelos de IA ainda maiores.
O CEO destacou que os chips da Nvidia têm dois principais objetivos: responder a um grande número de usuários e fornecer respostas rapidamente. “Se você demorar muito para responder a uma pergunta, o cliente não voltará. Isso é como uma pesquisa na Web”, explicou.
O executivo também revelou detalhes do Vera Rubin, sucessor do Blackwell, que será lançado na segunda metade de 2026 e contará com maior velocidade. Em seguida, a Nvidia pretende lançar os microprocessadores Feynman, previstos para 2028.
Os lançamentos ocorrem em meio a atrasos na chegada do Blackwell ao mercado devido a problemas de fabricação. No mês passado, a Nvidia afirmou que os pedidos para o chip estavam “ótimos”.
Além disso, Huang apresentou um novo computador pessoal chamado DGX Workstation, baseado nos chips Blackwell. Fabricado por empresas como Dell, Lenovo e HP, o dispositivo desafia os modelos mais avançados da Apple. “Este é o aspecto que um PC deveria ter”, afirmou, segurando a placa-mãe do equipamento.
Por fim, a Nvidia lançou gratuitamente o Dynamo, um novo software que promete acelerar o raciocínio de modelos de IA. Huang também anunciou uma parceria com a General Motors para o desenvolvimento de uma frota de veículos autônomos.