No início dos anos 2010, quando grandes editoras reduziram investimentos em RPGs complexos e focados em narrativa, o financiamento coletivo pelo Kickstarter abriu caminho para desenvolvedores independentes tirarem projetos ambiciosos do papel. A seguir, dez títulos que nasceram na plataforma e se transformaram em referências do gênero.
Darkest Dungeon
Em 2014, a Red Hook Studios recorreu ao Kickstarter para financiar um dungeon crawler punitivo. A resposta foi imediata, e o jogo chegou ao mercado com sistemas de estresse e sanidade que redefiniram o subgênero roguelike, além de arte gótica marcante.
Banner Saga
Lançada em 2012 por ex-desenvolvedores da BioWare, a campanha do estúdio Stoic arrecadou recursos para um RPG tático inspirado na cultura viking. O primeiro capítulo chegou em 2014, apresentando animações em rotoscopia, decisões permanentes e consequências carregadas ao longo de toda a trilogia.
Undertale
Com uma meta modesta, Toby Fox financiou em 2013 um RPG que subverte clichês do gênero. Lançado em 2015, o jogo permite poupar todos os inimigos, oferece trilha chiptune marcante e personagens como Sans e Papyrus, conquistando status de clássico cult.
Kingdom Come: Deliverance
A Warhorse Studios buscou apoio em 2014 para criar um RPG medieval sem elementos fantásticos. Entregue em 2018, o título recria a Boêmia do século XV com combate realista, sistema de alquimia detalhado e missões baseadas em pesquisa histórica.
Torment: Tides of Numenera
Considerado sucessor espiritual de Planescape: Torment, o projeto da inXile Entertainment arrecadou mais de US$ 4 milhões em 2013. O jogo, lançado em 2017, prioriza texto, escolhas filosóficas e um sistema de “Tides” que acompanha o alinhamento do jogador.
Shadowrun Returns
Em 2012, a Harebrained Schemes revitalizou o universo Shadowrun nos videogames. Lançado em 2013, o jogo uniu estética cyberpunk e fantasia, abriu espaço para as expansões Dragonfall e Hong Kong e provou a demanda por RPGs táticos em cenários diferenciados.
Bloodstained: Ritual of the Night
Koji Igarashi, produtor histórico de Castlevania, arrecadou mais de US$ 5,5 milhões em 2015 para desenvolver um sucessor espiritual do estilo “Metroidvania”. O resultado, lançado em 2019, combina gráficos 2.5D e um robusto sistema de fragmentos que permite absorver habilidades de inimigos.
Imagem: Internet
Divinity: Original Sin
A campanha de 2013 rendeu mais de US$ 1 milhão à Larian Studios. O jogo, lançado em 2014, inovou com combate ambiental — permitindo, por exemplo, eletrificar poças d’água — e abriu caminho direto para a sequência e, posteriormente, para Baldur’s Gate 3.
Pillars of Eternity
Obsidian Entertainment prometeu, em 2012, reviver o espírito de Baldur’s Gate. Cumpriu em 2015 com um mundo próprio, o reino de Eora, sistema de combate em tempo real com pausa e personalização profunda de personagens.
FTL: Faster Than Light
A Subset Games apresentou em 2012 a proposta de comandar uma nave espacial em uma galáxia gerada proceduralmente. O sucesso do financiamento garantiu o lançamento do roguelike, que se tornou referência em decisões estratégicas e morte permanente.
Os dez projetos mostram como o financiamento coletivo, aliado à criatividade de estúdios independentes, reaqueceu o mercado de RPGs narrativos e de nicho na última década.
Com informações de TheGamer
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