Chance Glasco, um dos criadores originais da franquia Call of Duty, revelou que a Activision exerceu pressão sobre a Infinity Ward para desenvolver um título em que o Irã atacasse Israel. A declaração foi publicada nas redes sociais após o perfil oficial da Casa Branca divulgar um vídeo que mesclava imagens reais de bombardeios no Irã com pontuações e recompensas típicas do jogo.
“Isso não me surpreende”, escreveu Glasco. “Depois que a Activision assumiu o controle, já com a Respawn formada, houve uma pressão muito constrangedora para que fizéssemos o próximo Call of Duty sobre o Irã atacando Israel. Felizmente, a maioria dos desenvolvedores ficou horrorizada e a ideia foi descartada.”
Contexto da disputa
A tentativa de direcionar o roteiro ocorreu após a saída dos cofundadores Jason West e o falecido Vince Zampella, que deixaram a Infinity Ward em 2010 e fundaram a Respawn Entertainment depois de um conflito com a Activision por bônus não pagos. Naquele período, as tensões entre Estados Unidos e Irã estavam elevadas: o então presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, mantinha um discurso hostil ao Ocidente e avançava no programa nuclear do país. Israel, por sua vez, era acusado de utilizar o serviço secreto Mossad para assassinar cientistas nucleares iranianos.
Uso de entretenimento como influência
Questionado por um usuário sobre por que uma invasão iraniana a Israel seria diferente de outros enredos da série, Glasco respondeu: “Meu ponto é que o governo usaria felizmente o entretenimento, inclusive videogames, para moldar a opinião pública em grandes questões. Há décadas existe pressão por uma guerra com o Irã, em várias administrações.”
Imagem: Internet
Após a recusa interna, o título seguinte da franquia acabou sendo Call of Duty: Black Ops, lançado em 2010 e ambientado nos anos 1960, durante a invasão da Baía dos Porcos e a Guerra do Vietnã.
Com informações de TheGamer
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