A falta de memória no mercado, apelidada de “RAMpocalypse”, foi um dos assuntos mais recorrentes entre desenvolvedores que participaram da Game Developers Conference (GDC) realizada nesta semana em San Francisco. Profissionais ouvidos pelo repórter Giovanni Colantonio, do site Polygon, relataram que o tema surgiu em praticamente todas as conversas nos corredores do evento.
Centros de IA pressionam a oferta
De acordo com os estúdios presentes, data centers voltados para inteligência artificial consomem grande parte dos chips disponíveis. Como poucas empresas fabricam RAM, vender diretamente para serviços de IA se tornou mais lucrativo do que atender ao varejo, o que agravou a escassez para consumidores e para a indústria de jogos. A reposição não é simples, já que a produção usa metais raros e não pode ser acelerada rapidamente.
Efeitos imediatos no mercado
A crise já provoca aumentos de preço e atrasos. O handheld Xbox Ally X ultrapassou US$ 1.100 no Japão, enquanto o Steam Deck ficou fora de estoque em diversos mercados pela falta de memória. Desenvolvedores ouvidos na GDC estimam que o cenário atual deve persistir por, no mínimo, mais dois anos.
Jogadores não devem atualizar PCs tão cedo
Com módulos mais caros e menos disponíveis, cresce a expectativa de que muitos jogadores não façam upgrades de RAM. A pesquisa de hardware da Steam aponta que a maioria dos usuários ainda opera com 8 GB. Mesmo títulos que tentam aliviar os requisitos, como Lego Batman: Legacy of the Dark Knight — que reduziu a recomendação de 32 GB para 16 GB — podem continuar acima da capacidade média do público.
Otimização volta ao centro do desenvolvimento
Diante das restrições, estúdios discutem a necessidade de recuar na busca por gráficos de ponta. Técnicas como asset pop-in mais agressivo e telas de carregamento retornam ao debate para diminuir o consumo de memória. Vários painéis da GDC foram dedicados a métodos de programação mais eficientes, refletindo a percepção de que o modelo atual, focado em hiper-realismo, se tornou insustentável para o momento.
Imagem: Internet
Próxima geração em compasso de espera
A possibilidade de consoles de próxima geração serem adiados também foi citada. Lançá-los agora implicaria preços elevados, potencialmente fora do alcance do jogador médio. Enquanto isso, startups exibiam no mesmo pavilhão soluções de jogos gerados por IA, atraindo investidores, mas levantando preocupações sobre o impacto no trabalho de desenvolvedores tradicionais.
A discussão deve continuar nos próximos meses, à medida que fabricantes, estúdios e consumidores buscam alternativas para atravessar o período de escassez sem comprometer a viabilidade financeira dos novos lançamentos.
Com informações de TheGamer
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