Tomodachi Life: Living the Dream foi lançado nesta semana para o Nintendo Switch, e para demonstrar o potencial criativo do novo modo de construção presente no jogo, os próprios desenvolvedores da Nintendo utilizaram o recurso para recriar digitalmente a sede da empresa em Kyoto, no Japão.
A iniciativa foi revelada pela série Ask the Developer, da Nintendo, que entrevistou cinco integrantes da equipe de desenvolvimento do título. Na conversa, os devs explicaram que o jogo permite aos jogadores personalizar seus avatares Mii com mais detalhes do que nas versões anteriores, além de oferecer total liberdade para construir e modificar a ilha onde os personagens vivem.
Para ilustrar as possibilidades do chamado Island Builder, a equipe criou uma ilha batizada de “Development HQ Island”, que reproduz fielmente os escritórios internos da Nintendo, incluindo as fileiras de mesas do ambiente de trabalho real da companhia.
“Esta é uma ilha chamada Development HQ Island, criada por um dos nossos funcionários”, explicou o diretor do jogo, Ryutaro Takahashi. “Tudo o que você vê aqui usa o recurso Island Builder para recriar o escritório da equipe de desenvolvimento, habitado por personagens Mii dos próprios membros da equipe.”
A demonstração repercutiu nas redes sociais entre usuários de língua japonesa e inglesa, gerando reações de surpresa e humor. Um dos comentários destacou o aspecto “surreal e hilariantemente absurdo” de imaginar os Miis dos desenvolvedores trabalhando dentro do próprio jogo. A publicação também gerou discussões na plataforma X sobre a aparência do interior da sede da Nintendo, descrita como simples e com paredes brancas — um contraste com os universos coloridos e vibrantes dos jogos da empresa. Registros fotográficos de relatórios anuais anteriores da Nintendo confirmam que o espaço de trabalho real da companhia segue um modelo aberto e minimalista, dividido em cubículos individuais.
Apesar da ambientação de escritório, a versão virtual da sede da Nintendo está longe de ser um ambiente sério. Takahashi revelou que, na ilha criada pela equipe, cada mesa representa a casa de um Mii, e os personagens passam o tempo conversando ou descansando. A equipe também criou animais de estimação baseados nos Pikmin e os colocou para passear com os avatares. Entre os itens personalizados desenvolvidos estão um “crachá de segurança do Ryutaro Takahashi” e um item chamado “contracheque”, que pode ser usado como presente entre os personagens.
O jogo conta ainda com um sistema em que os Miis fazem perguntas ao jogador, e as respostas aparecem posteriormente em conversas entre os personagens. Takahashi contou que informou ao seu Mii que poderia falar por horas sobre sua recuperação de um problema no ombro. Tempos depois, ao espionar uma conversa entre Miis, o jogo exibiu a mensagem: “Eles estão conversando apaixonadamente sobre a cura de ombros congelados.”
O desenvolvedor Takaomi Ueno comentou sobre a proposta por trás desses momentos: “Pensamos que, se nós, desenvolvedores, ríamos com isso, os jogadores também se divertiriam criando suas próprias piadas internas.”
Entre os exemplos de situações inusitadas possíveis no jogo está uma briga acalorada entre os Miis de Samus Aran e Reggie Fils-Aimé a respeito do reality show Survivor. No entanto, a análise do título apontou que restrições no sistema de compartilhamento do jogo dificultam o aproveitamento pleno dos recursos sociais da plataforma.
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