A empresa britânica de tecnologia Humanoid firmou acordo com a fornecedora industrial alemã Schaeffler para instalar robôs humanoides nas fábricas da companhia ao redor do mundo. Segundo porta-voz da Humanoid, o contrato prevê entre 1.000 e 2.000 unidades nos sites globais de fabricação da Schaeffler até 2032. O valor financeiro do acordo não foi divulgado pelas partes.
O primeiro ciclo de implantação está programado para ocorrer entre dezembro de 2026 e junho de 2027, em duas unidades da Schaeffler na Alemanha. Conforme declarou o CEO da Humanoid, Artem Sokolov, à agência Reuters, a fase inicial contemplará o manuseio de caixas em Herzogenaurach e testes em escala quase total na unidade de Schweinfurt.
Integração e fornecimento de componentes
Além da entrega dos robôs, a Humanoid também ficará responsável pela integração das máquinas nas linhas de produção já existentes da Schaeffler. A parceria entre as duas empresas havia sido anunciada inicialmente em janeiro deste ano, evoluindo agora para um contrato formal de fornecimento.
Dentro do acordo, a Schaeffler passará a ser a fornecedora preferencial da Humanoid para atuadores de articulações até 2031. O fornecimento deverá cobrir mais da metade da demanda da Humanoid para suas plataformas humanoides com rodas, com previsão de ao menos 1 milhão de atuadores entregues ao longo do período.
Startup sul-coreana coleta dados de movimento de trabalhadores
Paralelamente ao avanço da Humanoid, a startup sul-coreana de inteligência artificial RLWRLD está coletando dados de movimentos humanos em hotéis, centros logísticos e estabelecimentos de varejo. Conforme reportagem da AP News, funcionários do Lotte Hotel Seoul foram filmados durante tarefas como dobrar guardanapos de banquete e preparar louças. Câmeras posicionadas na cabeça e nas mãos dos trabalhadores registram com precisão os movimentos e as formas de pegada em atividades de serviço.
A empresa também coleta dados de trabalhadores da logística na CJ, registrando como eles levantam e manipulam mercadorias em armazéns. Além disso, a RLWRLD trabalha com funcionários da rede japonesa de conveniências Lawson para mapear a organização de displays de alimentos. O objetivo é desenvolver uma camada de software de IA capaz de operar robôs em fábricas e outros ambientes de trabalho. A destreza das mãos foi apontada pela equipe de engenharia como uma prioridade para tarefas industriais e de serviços.
Como os robôs aprendem tarefas físicas
A RLWRLD utiliza os dados de movimentos humanos para treinar seus sistemas robóticos. As gravações dos trabalhadores são convertidas em dados legíveis por máquinas, e os engenheiros complementam o treinamento com demonstrações próprias, usando câmeras, óculos de realidade virtual e luvas de rastreamento de movimentos.
Segundo Song Hyun-ji, da equipe de robótica da RLWRLD, os dados capturam detalhes como ângulos de articulações e o nível de força aplicado durante cada tarefa. Essas informações são então usadas para treinar robôs de teste, incluindo sistemas guiados por operadores humanos com dispositivos de controle.
Em uma das demonstrações realizadas, um robô com rodas e mãos metálicas semelhantes às humanas movimentou copos em um frigobar sob orientação de engenheiros. Em outra demonstração, um humanoide abriu uma caixa, colocou um mouse de computador dentro, fechou a embalagem e a posicionou sobre uma esteira transportadora.
Coreia do Sul e grandes empresas avançam no setor
A RLWRLD projeta que robôs de IA para uso industrial sejam implantados em escala a partir de 2028, prazo que a empresa afirma ser compartilhado por alguns dos maiores players do mercado.
A Hyundai Motor planeja introduzir humanoides fabricados pela Boston Dynamics em suas fábricas globais nos próximos anos, com início previsto para a planta no estado da Geórgia, nos Estados Unidos, em 2028. Já a Samsung Electronics anunciou a intenção de converter todas as suas unidades de fabricação em “fábricas movidas por IA” até 2030, incluindo humanoides e robôs especializados nas linhas de produção.
Sindicatos alertam para riscos ao emprego
Grupos trabalhistas na Coreia do Sul manifestaram preocupações com o uso de dados de trabalhadores e com a expansão dos robôs. Sindicatos advertem que a implantação das máquinas pode impactar o nível de emprego e enfraquecer a formação de mão de obra qualificada. Kim Seok, diretor de políticas da Confederação Coreana de Sindicatos, afirmou que empregadores e governo devem dialogar com os trabalhadores sobre a adoção da IA, ressaltando que o trabalho qualificado é uma conquista humana.
No setor hoteleiro, o Lotte Hotel estuda o uso de robôs para limpeza e tarefas nos bastidores. Os humanoides atuais levariam várias horas para limpar um quarto de hóspede — tarefa que trabalhadores humanos concluem em cerca de 40 minutos —, mas o hotel espera que as máquinas estejam aptas para algumas funções de limpeza e suporte até 2029.
O hotel também avalia serviços de aluguel de robôs para a hotelaria e outros segmentos de serviços. Park, um dos funcionários envolvidos no processo de treinamento, estima que os humanoides possam assumir entre 30% e 40% das atividades de preparação de eventos nos bastidores. Ele pontuou que tarefas com interação humana direta serão mais difíceis de substituir.
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