No último dia 27 de maio, a Câmara dos Deputados aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, além de acabar com a escala 6×1. O empresário Luciano Hang, proprietário das Lojas Havan e conhecido apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro, expressou sua crítica a essa mudança.
Em uma entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Hang destacou que preferiria ver a implementação da escala 4×3, que consiste em quatro dias de trabalho seguidos de três dias de descanso. Ele acredita que essa mudança permitiria observar rapidamente o impacto na economia. “O Congresso deveria aprovar a 4×3 e implantá-la já em junho para que a gente visse quanto tempo o Brasil iria aguentar”, afirmou de forma irônica. “Coisa ruim tem que ser o mais rápido possível, não adianta você ficar sofrendo por muito tempo. Acho que para acertar este país é só com uma desgraça. Então, que a desgraça seja instalada o mais rápido possível.”
A Havan, uma das maiores redes de varejo do Brasil, possui sede em Brusque (SC) e atualmente conta com 191 lojas e mais de 25 mil funcionários. A empresa planeja abrir sua 192ª unidade no próximo dia 30 de maio, em Taquara (RS). Em 2025, a Havan registrou uma receita líquida de R$ 13,7 bilhões e um lucro líquido de R$ 3,5 bilhões.
Hang também alertou sobre os possíveis aumentos de custos no varejo decorrentes da nova legislação. Segundo ele, a redução da jornada de trabalho impactará não apenas grandes empresas, como a Havan, mas também pequenas e médias empresas, resultando em pressão inflacionária. “Esses custos que vão ser colocados para indústria, comércio e serviços serão repassados nos preços”, afirmou. “Essa diferença de 15% a 20% vai para os preços. E a inflação vai comer o salário do cara.”
“A Havan tem três turnos. Há um tempo, inventaram que mulheres não podem trabalhar dois domingos em seguida. O que tu consegues com isso? Tu vais ter que contratar mais homens. Eu nunca vi, neste país, tanto idiota para fazer leis burras.”
Além disso, Hang confirmou uma viagem ao Paraguai entre os dias 29 de junho e 1º de julho, com o intuito de explorar oportunidades de expansão internacional para a Havan. Ele mencionou que recebeu chamadas do presidente e do ministro paraguaio para discutir essa possibilidade, afirmando que “não posso ser o último empresário a apagar a luz.” Nos últimos anos, o Paraguai tem atraído empresas brasileiras em busca de incentivos fiscais e encargos trabalhistas mais baixos. Hang observou que mais de 250 companhias do Brasil já transferiram suas operações para o país vizinho.
“Não tenho mais o ímpeto de entrar de cabeça numa campanha eleitoral como eu já fiz”, concluiu Hang, ao comentar sua intenção de reduzir a participação em campanhas políticas após enfrentar uma condenação em 2024, relacionada a coação de funcionários durante as eleições de 2018.
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