O advogado Abelardo de la Espriella está em destaque nas eleições presidenciais da Colômbia, que ocorrerão no próximo domingo, 31 de maio de 2026. Com um discurso centrado na segurança pública e no endurecimento das penas, Espriella tem conquistado a atenção da população e de analistas, sendo chamado de “Bukele colombiano”, em alusão ao presidente de El Salvador, Nayib Bukele.
A ascensão do candidato reflete o desgaste do governo de Gustavo Petro, especialmente em um contexto de crescente violência exercida por grupos armados, dissidências das Farc e o narcotráfico. Recentes ataques com drones e confrontos armados têm colocado a questão da segurança como um dos principais temas do debate eleitoral.
Segundo a pesquisa Atlas/Intel, o candidato governista Iván Cepeda lidera o primeiro turno com 38,7% dos votos, enquanto Espriella aparece logo atrás com 37,3%. No entanto, em um possível segundo turno, o advogado se destacaria, vencendo Cepeda com 50% dos votos contra 41,3%. A consultoria Guarumo também corrobora essa tendência, apontando para uma vitória de Espriella no cenário de segundo turno.
As propostas de Espriella misturam elementos do que se vê em El Salvador e na Argentina. Ele promete uma abordagem rigorosa contra o crime, incluindo a militarização e a construção de megacárceres, além de se opor à política de “Paz Total” implementada por Petro. O político acredita que o modelo de segurança de Bukele pode ser “plenamente aplicável” à Colômbia.
Na esfera econômica, Espriella defende a redução do Estado, a diminuição de impostos e a implementação de inteligência artificial. Essas ideias têm atraído o apoio de conservadores e empresários, e lembram algumas propostas do governo de Javier Milei na Argentina.
No entanto, a trajetória profissional de Espriella gera controvérsias. Ele já defendeu Alex Saab, acusado de lavagem de dinheiro, e David Murcia Guzmán, condenado por fraudes financeiras. Críticos argumentam que essas defesas contradizem sua imagem de candidato anticorrupção, mas Espriella defende seu direito à defesa técnica dentro dos limites legais.
Especialistas sugerem que Espriella representa o “efeito Bukele” na América Latina. A principal diferença é que Bukele já havia sido prefeito antes de assumir a presidência, enquanto Espriella é considerado um “outsider” tentando governar sem experiência administrativa prévia.
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