O vice-presidente Geraldo Alckmin criticou a proposta americana de taxar exportações brasileiras em 25%. O governo Lula promete intensificar negociações para barrar a medida.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva expressou sua firme oposição à recomendação dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 25% sobre algumas exportações brasileiras, qualificando a medida como “injusta”, “descabida” e sem fundamento sólido.
Em uma declaração feita nesta terça-feira, 2, o vice-presidente Geraldo Alckmin enfatizou que o Brasil vai intensificar as negociações para bloquear o avanço dessa proposta. Alckmin criticou aqueles que considera “falsos patriotas” e “sabotadores”, que, segundo ele, priorizam interesses eleitorais em detrimento dos interesses nacionais.
O vice-presidente também destacou que a recomendação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) ignora importantes dados sobre comércio, propriedade intelectual, combate à corrupção, desmatamento e as tarifas aplicadas por ambos os países. Ele reafirmou que o sistema de pagamentos Pix não está em discussão, considerando-o um patrimônio nacional e um símbolo da soberania financeira brasileira.
“O Pix é nosso e não será incluído em negociações com os EUA”, afirmou Alckmin, ressaltando a importância do sistema para o Brasil.
Entre os argumentos apresentados pelo governo brasileiro, destaca-se o superávit comercial de US$ 40 bilhões que os Estados Unidos obtêm em seu comércio com o Brasil. Alckmin ainda ressaltou que oito dos dez produtos mais exportados pelos EUA para o Brasil entram no país com tarifa zero.
O governo também contestou as críticas sobre propriedade intelectual, afirmando que empresas americanas detêm cerca de 30% das patentes registradas no Brasil. No que diz respeito ao meio ambiente, Alckmin destacou a redução de mais de 50% do desmatamento na Amazônia e reafirmou a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2030.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforçou que o Pix representa a soberania financeira do Brasil e criticou a família Bolsonaro por apoiar medidas defendidas por setores do governo norte-americano. Durigan argumentou que o sistema é gratuito, democrático e tem sido um modelo para outros países.
Se a recomendação do USTR for implementada, estima-se que cerca de 21% das exportações brasileiras para os Estados Unidos seriam afetadas pelas novas tarifas. Os setores mais impactados incluem máquinas e equipamentos, plásticos, produtos de madeira, papel, calçados, ferro fundido e pescados. O governo planeja mobilizar empresas brasileiras e americanas instaladas no país para fortalecer a defesa dos interesses nacionais durante o período de consulta pública, que termina em julho.

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