O presidente reagiu com surpresa ao anúncio americano, afirmando que o país não foi avisado. A medida chega em meio a negociações em curso entre os dois países.
O presidente Lula (PT) expressou sua surpresa em relação ao anúncio de novas tarifas comerciais aplicadas pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros, durante a abertura de uma reunião ministerial no Palácio do Planalto nesta quarta-feira, 3 de junho de 2026. Ele deixou claro que o Brasil não recebeu nenhum comunicado oficial sobre essas novas medidas e afirmou que “o Brasil não pode aceitar” esse tipo de tratamento por parte da administração de Donald Trump.
Lula destacou que essa decisão dos EUA ocorre em um momento em que negociações ainda estavam em andamento. Ele recordou o encontro de três horas que teve com Trump no mês de maio, onde havia proposto um prazo de 30 dias para que os ministros de ambos os países chegassem a um consenso sobre as divergências comerciais. O presidente enfatizou que esse prazo ainda não havia expirado.
“Não se concluiu nada. Por isso, a nossa surpresa com a decisão de mais um comunicado, de mais uma taxação com relação ao Brasil”, disse Lula.
O presidente reiterou que o Brasil se mantém aberto ao diálogo e destacou que “ninguém pode dizer que o Brasil se negou a negociar com os Estados Unidos”. As novas tarifas anunciadas pelos EUA incluem duas frentes de taxação: a primeira, divulgada na segunda-feira, 1º de junho, prevê uma tarifa de 25% baseada em uma investigação que acusa o Brasil de práticas que restringem o comércio bilateral. A segunda, anunciada nesta quarta-feira, adiciona 12,5% sob a justificativa de falhas na fiscalização de mercadorias produzidas com trabalho forçado, o que eleva a sobretaxa total a 37,5%.
Lula também revelou que entregou pessoalmente a Trump quatro documentos sobre a relação bilateral, abordando temas como combate a facções criminosas e exploração de terras raras. Ele comentou: “Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa”.
O governo brasileiro agora está estudando a resposta à proposta de taxação e Lula informou que planeja enviar uma nova carta a Trump, além de estar disposto a escrever artigos na imprensa internacional para contestar essas decisões. Ele afirmou: “Vou escrever quantos artigos forem necessários para mostrar que eles estão errados, que eles estão equivocados, e que estão induzindo o mundo a uma violência desnecessária”.
“O que um imbecil desses não percebe é que quem é prejudicado é o povo, não o Lula”, disse o presidente, referindo-se a brasileiros que, segundo ele, estariam incentivando as sanções americanas para obter vantagens eleitorais.
Lula também criticou o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, chamando-o de “latino-americano frustrado”, em resposta a uma declaração de Rubio que afirmava que o Brasil não seria um país amigável aos interesses de Washington. O presidente enfatizou a importância de uma relação institucional baseada na verdade e na paz, e encerrou sua fala reafirmando que o foco do governo será proteger a economia nacional e a população impactada pelas tarifas.
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