Defesa protocolou petição no STF alegando que irmã de Luiz Phillipi Mourão ameaçava 'acabar com a família inteira' do empresário. A ação busca derrubar prisão decretada na Operação Compliance Zero.
Em uma petição apresentada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), os advogados de Henrique Vorcaro, empresário preso na Operação Compliance Zero, acusaram a irmã de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como ‘Sicário’, de chantagem. A ação, protocolada nesta quinta-feira, 18, visa contestar o relatório da Polícia Federal (PF) que fundamentou a prisão do empresário.
Documentos apreendidos pela PF revelaram que Joana Mourão possuía ‘material para acabar com a família inteira’ do proprietário do Banco Master. Os defensores de Vorcaro, Eugênio Pacelli, Frederico Horta e Sérgio Quintão, afirmaram que os contatos hostis começaram logo após o suicídio de Sicário, ocorrido na cela da Superintendência da PF em Minas Gerais, no dia 4 de março. Eles argumentaram que Vorcaro se tornou alvo de assédio por credores que buscavam antecipar o recebimento de créditos.
A defesa solicitou ao ministro que convoque Joana Mourão para depor, com o intuito de que ela apresente suas provas ao tribunal. Eles negam qualquer acusação de suborno ou tentativa de silenciar testemunhas, sustentando que os pagamentos mensais de R$ 200 mil mencionados pela PF eram parte de um contrato legítimo de parceria em um projeto imobiliário localizado no bairro de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
As transações financeiras estavam respaldadas por um acordo assinado no final de 2025, destinado a remunerar os serviços de segurança e intermediação imobiliária prestados por Mourão. A petição destaca que os dados financeiros relevantes foram entregues integralmente à Procuradoria-Geral da República (PGR). Os advogados de Vorcaro argumentam que a PF utilizou uma interpretação distorcida e fora de contexto dos fatos, levando o relator do caso a um erro.
A investigação da PF prossegue, sustentando que Sicário liderava um grupo armado conhecido como ‘A Turma’, voltado para intimidar e perseguir concorrentes do Banco Master. Os relatórios indicam também que Henrique Vorcaro teria pago R$ 400 mil mensais para financiar uma rede de espionagem interna na PF, com o dinheiro destinado ao agente aposentado Marilson Roseno da Silva, suposto responsável por vazamentos de informações sigilosas sobre investigações em curso.
Roseno teria utilizado transferências via Pix, presentes e gratificações de fim de ano para subornar servidores ativos da Polícia Federal. A defesa do policial aposentado não foi localizada para comentar a situação. Os advogados de Henrique Vorcaro insistem na inexistência de provas concretas sobre os crimes de corrupção e pleiteiam a revogação imediata da prisão ou a aplicação de medidas cautelares menos severas no STF.
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