Começa nesta segunda (22) o julgamento dos três primeiros réus pelo assassinato de Antônio Vinícius Gritzbach. O caso chocou o país e expôs ligações com o crime organizado.
Hoje, 22 de junho de 2026, o Tribunal do Júri da Comarca de Guarulhos começa a ouvir os três primeiros acusados pela morte do empresário Antônio Vinícius Gritzbach. O julgamento será realizado no Fórum Criminal de Guarulhos, localizado na Grande São Paulo, e está previsto para durar cinco dias.
O juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo presidirá o júri, onde serão analisadas as responsabilidades dos réus Denis Antonio Martins, Ruan Silva Rodrigues e Fernando Genauro da Silva. Todos os acusados se encontram detidos e são acusados de homicídio qualificado e tentativa de homicídio.
O assassinato de Gritzbach ocorreu em 8 de novembro de 2024, em um ataque que aconteceu em plena luz do dia no Aeroporto Internacional de Guarulhos, o mais movimentado do Brasil. Infelizmente, durante a ação, o motorista de aplicativo Celso Araújo Sampaio de Novais, de 41 anos, também foi atingido e faleceu. Além disso, outras duas pessoas ficaram feridas.
O caso gerou grande repercussão em nível nacional, não apenas pela audácia do crime, mas também pelas conexões da vítima com investigações relacionadas ao crime organizado. Gritzbach, que atuava no mercado imobiliário, estava sendo investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro para facções criminosas, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho. Ao mesmo tempo, ele colaborava com as autoridades, fornecendo informações sobre membros dessas organizações, circunstância que, segundo a polícia, teria motivado seu assassinato.
A investigação foi realizada pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que conseguiu concluir o inquérito principal em apenas quatro meses. Esse trabalho investigativo é considerado um dos mais complexos dos últimos anos, reunindo cerca de 500 páginas. O resultado foi o indiciamento de oito pessoas, sendo seis por participação direta no homicídio e duas por ajudar na fuga dos executores.
As apurações também revelaram o envolvimento de 18 policiais militares, que se tornaram réus no caso. Três deles, identificados como os executores dos disparos, serão julgados pelo Tribunal do Júri e permanecem presos no Presídio Militar Romão Gomes, na capital paulista.
De acordo com a investigação, o mandante do crime seria Emílio Carlos Gongorra, conhecido como “Cigarreira”, que é apontado como integrante do Comando Vermelho. A polícia acredita que a motivação por trás do crime envolveu uma combinação de vingança pessoal e disputas financeiras milionárias, incluindo esquemas de lavagem de dinheiro e investimentos em criptomoedas. Cigarreira e outros dois investigados continuam foragidos.
Durante o julgamento de hoje, estão previstas as oitivas de 21 testemunhas, sendo nove da acusação e as demais indicadas pelas defesas dos réus. Após os depoimentos, os acusados serão interrogados e, em seguida, a acusação e a defesa apresentarão suas teses aos jurados.
Como é comum em julgamentos do Tribunal do Júri, sete jurados serão sorteados para compor o Conselho de Sentença, que será responsável por decidir sobre a condenação ou absolvição dos réus. O juiz conduzirá os trabalhos e, caso haja condenação, será responsável por fixar as penas e proferir a sentença.
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