Nos últimos meses, um fenômeno intrigante tomou conta das redes sociais. Entre maio e junho, sete perfis anônimos no Facebook e Instagram, todos com menos de 400 seguidores, investiram mais de R$ 1 milhão em anúncios direcionados ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à Presidência, e ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que está em busca da reeleição.
Esses impulsionamentos ocorreram em um contexto de revelações sobre ligações telefônicas entre Flávio e Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master. Além disso, pesquisas mostravam que o senador estava se aproximando do presidente Lula nas intenções de voto, o que pode ter influenciado essa estratégia.
A análise revelou que as páginas utilizavam táticas semelhantes para driblar as restrições dos algoritmos, sugerindo uma coordenação centralizada. Ao invés de alocar grandes quantidades em publicações isoladas, cada perfil optou por impulsionar centenas de postagens com valores mais modestos. Essa abordagem visava aumentar a visibilidade do conteúdo na plataforma, mesmo que algumas postagens fossem removidas.
Com legendas genéricas como “A discussão aumentou e trouxe novas interpretações. Compartilhe sua opinião!”, as páginas conseguiram dificultar a identificação automática de conteúdo político, o que é uma estratégia interessante em tempos de vigilância digital.
O crescimento rápido desses perfis e indícios de coordenação foram notáveis. Três dessas páginas, que foram criadas em maio, impulsionaram mais de mil publicações antes de serem removidas. Em junho, quatro novas páginas surgiram e continuaram a campanha contra Flávio e outros políticos da direita.
Somente neste mês, esses perfis já gastaram R$ 247 mil, sendo R$ 135 mil entre os dias 17 e 23 de junho, o que os coloca em segundo lugar, atrás apenas do governo federal, em termos de investimento em anúncios, conforme dados da Meta.
Entre os nomes utilizados por essas páginas estão Radar do Planalto, Dossier Brasil 24h e O Contra-Fluxo, que se apresentavam como veículos independentes. Apesar de terem um número reduzido de seguidores, os gastos foram impressionantes: o Radar do Planalto, com 388 seguidores, investiu R$ 373 mil, enquanto Dossier Brasil 24h e O Contra-Fluxo juntos superaram os R$ 500 mil.
Todas essas páginas registraram informações na Meta nos dias 22 e 23 de abril, têm ligação com sites em espanhol e utilizam telefones com DDD 41, que pertence ao Paraná. Os sites foram criados de forma sequencial na Hostinger, o que fortalece a hipótese de uma atuação coordenada.
Um dos anúncios veiculados entre 2 e 8 de maio alcançou impressionantes 300 mil a 350 mil impressões, com a maioria concentrada em São Paulo (53%) e Minas Gerais (46%). O vídeo associado a esse anúncio, que trazia a frase “O mais b@ndido dos Bolsonaros”, abordava questões como a suposta rachadinha e apresentava um narrador que afirmava: “Flávio Bolsonaro diz que é contra o crime organizado, mas montou um esquema de desvio de dinheiro com milicianos.”
A Meta, por sua vez, reafirmou seu compromisso com um ambiente digital saudável, promovendo transparência e colaborando com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para garantir que as regras para anúncios de temas sociais e políticos sejam seguidas. Essa situação ilustra a complexidade e os desafios do cenário político atual e a forma como as redes sociais são utilizadas para influenciar a opinião pública.

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