A direção do Complexo Penitenciário da Papuda decidiu aplicar uma punição disciplinar ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como ‘Careca do INSS’. O detento foi colocado em isolamento preventivo por um período de oito dias após a descoberta de um bálsamo labial contendo derivados de Cannabis em sua cela.
A apreensão ocorreu no dia 2 de junho, durante uma varredura de rotina realizada no Bloco 5 da Penitenciária IV, que abriga presos considerados vulneráveis. Antunes admitiu a posse do cosmético, mas afirmou que o utilizava desde outubro do ano anterior, quando foi transferido da carceragem da Polícia Federal.
A defesa de Antunes argumentou que o produto em questão continha apenas óleo de semente de Cannabis sativa e não deveria ser considerado um entorpecente.
No entanto, a Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape-DF) não aceitou a justificativa apresentada pelos advogados. Para a secretaria, o protetor labial é classificado como um item proibido. Os diretores da unidade prisional elaboraram um relatório detalhando a infração, que foi enviado ao ministro André Mendonça, responsável pelo inquérito relacionado ao esquema do INSS no Supremo Tribunal Federal (STF).
O parecer da direção do presídio enfatiza que a introdução de produtos não autorizados compromete a disciplina e a ordem no ambiente carcerário. O documento ressalta que a punição é necessária para manter a integridade da segurança no pavilhão. A comissão de disciplina da penitenciária finalizou a investigação interna na semana passada.
Antônio Carlos Camilo Antunes cumpre prisão preventiva sob a acusação de liderar um esquema bilionário de fraudes, envolvendo desvios e descontos ilegais nas folhas de pagamento de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As investigações conduzidas pela Polícia Federal, junto com a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Congresso Nacional, revelaram que o lobista utilizava associações de fachada e pagava propinas a servidores públicos para lavar dinheiro em suas próprias empresas.
Além de suas atividades ilegais, Antunes é também o proprietário da World Cannabis, uma empresa que visa explorar o mercado nacional de maconha medicinal. Ele contratou a empresária Roberta Luchsinger para auxiliar na defesa dos interesses da companhia junto ao governo federal. Mensagens interceptadas pela PF revelam conversas de Antunes mencionando transferências financeiras que levantaram suspeitas entre os investigadores.
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