Na última segunda-feira (13), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão da visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-presidente Jair Bolsonaro por um período de 90 dias. Essa decisão surgiu após o senador compartilhar em suas redes sociais uma carta de seu pai, onde ele apoiava a candidatura de Flávio à presidência.
A medida se baseou em regras estabelecidas quando o ex-presidente recebeu a concessão de prisão domiciliar humanitária temporária. Entre as condições impostas, estava a proibição de Jair Bolsonaro de utilizar as redes sociais, tanto diretamente quanto por meio de terceiros.
“Utilizando-se do seu direito de visita, Flávio Nantes Bolsonaro obteve uma carta do setenciado Jair Messias Bolsonaro, com a exclusiva finalidade de divulgá-la nas redes sociais. Não há dúvidas, portanto, de que a conduta irregular de Flávio Nantes Bolsonaro desrespeitou expressa vedação judicial e configurou ostensivo desvio de finalidade no exercício de seu direito de visita”, afirmou Moraes.
A suspensão gerou reações, principalmente do coordenador da pré-campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN). Ele classificou a decisão como “autoritária” e “desproporcional”, lembrando do período em que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve preso na Superintendência Regional da Polícia Federal (PF) em Curitiba, de 7 de abril de 2018 a 8 de novembro de 2019.
“Lula recebeu centenas de visitas e manteve interlocução política com seus aliados, inclusive Fernando Haddad. Durante a campanha eleitoral, manifestou-se publicamente por cartas, chegando a pedir votos para o candidato que o substituiu”, destacou Marinho.
O episódio citado por Marinho refere-se a uma carta escrita por Lula em setembro de 2018, na qual ele anunciou Fernando Haddad como seu substituto nas eleições presidenciais e pediu votos. O texto continha apelos por um país mais democrático e com mais justiça social, além de mencionar a importância de não privatizar empresas públicas.
Em 24 de janeiro de 2018, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) havia confirmado a condenação de Lula por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A pena foi fixada em 12 anos e um mês de prisão em regime fechado, resultando na sua prisão em 5 de abril de 2018.
Embora Lula tenha enfrentado diversas condenações, a jurisprudência do STF sobre a prisão em segunda instância mudou. Em 8 de novembro de 2019, Lula foi autorizado a responder em liberdade, e em 15 de abril de 2021, o STF anulou suas condenações, considerando a atuação do juiz Sérgio Moro como suspeita.
Enquanto isso, Jair Bolsonaro também enfrenta suas próprias dificuldades legais. Em 21 de novembro de 2024, a Polícia Federal indiciou o ex-presidente e outros 35 por tentativa de golpe após a vitória de Lula nas eleições de 2022. Em 9 de setembro de 2025, o STF iniciou o julgamento do núcleo crucial responsável por planejar os atos golpistas.
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