A Polícia Federal apresentou um relatório extenso, com 839 páginas, que detalha as fraudes ocorridas no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo as investigações, os envolvidos no suposto esquema utilizavam apelidos para registrar o pagamento de propinas mensais a funcionários públicos e políticos.
Este relatório foi atribuído ao operador financeiro Cícero Marcelino de Souza Santos, identificado pela PF como um dos principais responsáveis pela movimentação dos recursos que foram desviados de aposentados e pensionistas. A investigação revelou que ele e sua esposa controlavam empresas que receberam mais de R$ 312 milhões, utilizadas para a distribuição de vantagens indevidas.
A PF também indicou que o ex-presidente do INSS é acusado de receber até R$ 250 mil mensais em propina.
De acordo com o relatório, os beneficiários das propinas eram identificados por codinomes como “Heróis”, “Notáveis” e “Amigos”, considerados essenciais para a continuidade do esquema. Entre os codinomes estão:
1. Herói V – atribuído ao ex-procurador-geral do INSS, Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho;
2. Herói A – ao ex-diretor de Benefícios, André Paulo Felix Fidelis;
3. Herói E – ao deputado federal Euclydes Marcos Pettersen Neto (Republicanos-MG);
4. O Italiano – ao ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto;
5. O Ministro, São Paulo e Abou Yasser – ao ex-ministro da Previdência, José Carlos Oliveira;
6. O servidor do INSS – ao servidor Rogério Soares de Souza.
O relatório também apresenta detalhes sobre os valores que cada investigado teria recebido. O deputado Euclydes Pettersen foi identificado como o mais beneficiado, com repasses que totalizam pelo menos R$ 14,7 milhões.
As informações indicam que Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho teria recebido R$ 6,5 milhões; André Fidelis, R$ 3,4 milhões; e Alessandro Stefanutto, cerca de R$ 900 mil, além de pagamentos mensais que chegavam a R$ 250 mil. Rogério Soares foi mencionado como destinatário frequente de propinas, que foram ocultadas através de contas de terceiros.
Este relatório é o primeiro a conter indiciamentos na Operação Sem Desconto. A Polícia Federal afirmou que novas fases da investigação devem resultar em mais indiciamentos nas próximas semanas.
As defesas de Stefanutto e de Euclydes negaram qualquer irregularidade e afirmaram que apresentarão seus argumentos no processo. Até o momento, os representantes de Virgílio, André Fidelis, José Carlos Oliveira e Rogério Soares ainda não se manifestaram sobre as acusações.

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