Após ligação de 1h20 com Donald Trump, Lula busca reduzir desgaste diplomático provocado pela troca de críticas com o secretário de Estado Marco Rubio. A conversa ocorreu em meio à imposição de tarifas americanas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscou uma via direta com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tentar contornar a escalada de tensão com o secretário de Estado americano, Marco Rubio. Uma reportagem publicada neste sábado (22) avaliou essa estratégia, um dia após os dois presidentes conversarem por telefone.
O contato por telefone entre Lula e Trump durou cerca de uma hora e 20 minutos na manhã de sexta-feira e ocorreu em um momento de forte desgaste diplomático, marcado pela troca de críticas entre Brasília e Washington e pela imposição de tarifas americanas sobre produtos brasileiros. O governo brasileiro aposta na interlocução direta entre os dois chefes de Estado como caminho para abrir espaço às negociações e reduzir a pressão exercida pelo governo americano.
Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), o telefonema ocorreu em tom amistoso e cordial.
amistoso e cordial
Durante a conversa, o presidente brasileiro defendeu a retomada das negociações sobre as tarifas e qualificou como infundadas as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para a aplicação das medidas.
infundadas
Segundo relato do próprio presidente, Trump reconheceu as informações apresentadas e solicitou que o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, marcasse uma reunião com o ministro Márcio Elias Rosa já na próxima semana. A indicação de uma agenda com representantes técnicos foi destacada como um desdobramento prático do diálogo entre os dois líderes.
A aproximação entre Lula e Trump ocorre paralelamente à deterioração da relação com Rubio. Nas últimas semanas, o secretário de Estado havia acusado o presidente brasileiro de colocar o próprio ego acima dos interesses da população. Lula, por sua vez, classificou Rubio como um latino-americano frustrado.
latino-americano frustrado
O cenário contou ainda com leituras divergentes nos gabinetes dos dois países sobre as causas e as motivações do confronto público. Uma autoridade americana ouvida pela reportagem afirmou que Lula estaria “fabricando” um conflito com Rubio por acreditar que o sentimento antiamericano poderia ajudar na corrida presidencial.
fabricando
Por outro lado, uma autoridade brasileira apresentou à reportagem uma leitura oposta e afirmou existir uma “agenda coordenada da direita do Brasil com a direita no Departamento de Estado dos EUA”. Esse diagnóstico foi apontado no contexto das acusações de integrantes da família Bolsonaro sobre uma suposta articulação política envolvendo os Estados Unidos.
agenda coordenada da direita do Brasil com a direita no Departamento de Estado dos EUA
Apesar do aumento das críticas públicas, o Departamento de Estado americano afirmou que os Estados Unidos respeitarão o resultado soberano das eleições brasileiras e manterão a cooperação com qualquer governo escolhido pelos eleitores. A iniciativa de privilegiar o canal direto entre presidentes sinaliza uma opção prática: usar o diálogo de alto nível para buscar soluções técnicas e reduzir atrito, especialmente em torno do tema das tarifas.


Fonte: InfoMoney – Mercado
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