Primeira revisão desde 2013, a política define prioridades para missões comerciais, civis e de segurança. O governo quer ampliar infraestrutura e acelerar licenças para aumentar o ritmo de lançamentos.
O presidente Donald Trump assinou nesta quinta-feira (20) uma nova Política Nacional de Transporte Espacial que define prioridades para missões comerciais, civis e de segurança nacional. É a primeira atualização da política desde 2013, período em que operadores comerciais como a SpaceX elevaram dramaticamente o ritmo de lançamentos americanos.
O objetivo central do documento é expandir a infraestrutura e os procedimentos necessários para suportar mais de 1.000 lançamentos de foguetes por ano até 2030. A proposta combina metas operacionais com medidas práticas para acelerar revisão de projetos, ampliar locais de lançamento e integrar investimentos públicos e privados.
Nos próximos 180 dias, a NASA, o Departamento de Transportes e o Departamento de Defesa devem identificar locais para futuras atividades de lançamento e instalações existentes que possam ser ampliadas. O texto determina também que as agências estabeleçam arrendamentos e oportunidades de investimento comercial para incentivar o desenvolvimento conjunto de novos complexos de lançamento, que poderão ser financiados, em parte, pelas próprias empresas que os utilizarão.
Além disso, nos próximos 90 dias as agências devem identificar terras federais disponíveis para desenvolvimento como locais de pouso de foguetes. O memorando reforça um marco para agilizar processos de revisão ambiental aplicáveis a lançamentos comerciais e à construção de cosmodrômos, com a intenção de reduzir entraves burocráticos sem eliminar exigências de segurança e conformidade.
A SpaceX vai muito além da meta estabelecida pela política. Em resposta ao anúncio, o CEO Elon Musk disse que a empresa pretende realizar 30 ou mais voos da Starship por dia até 2030 — o equivalente a mais de 10.000 voos por ano. A Starship, ainda em desenvolvimento, está projetada para se tornar o primeiro veículo de lançamento totalmente reutilizável da história.
Em termos de segurança nacional, o documento formaliza um objetivo já perseguido pelo Pentágono: acesso confiável ao espaço em até 48 horas. A Força Espacial americana já testou essa capacidade no passado: em 2023 foi lançada a missão Victus Nox com a Firefly Aerospace com apenas 27 horas de aviso, e em junho a missão Victus Haze foi lançada pela Rocket Lab com apenas 17 horas de antecedência.
A política também amplia o alcance das operações para além da órbita baixa. A NASA deve desenvolver uma arquitetura comercial de logística lunar capaz de movimentar cargas e equipamentos de e para a superfície da Lua, complementando programas já em andamento. Mais ambicioso ainda, o documento determina que a agência desenvolva parcerias para acesso robótico comercial a Marte e, no longo prazo, arquiteturas capazes de levar astronautas à superfície marciana e trazê-los de volta à Terra.
A Casa Branca destaca que a política deverá impulsionar avanços em manufatura espacial, desenvolvimento de fármacos e materiais de alto valor produzidos em microgravidade. Melhorias em serviços de posicionamento e navegação por satélite também poderão apoiar operações agrícolas mais precisas e previsões meteorológicas mais detalhadas na Terra. No conjunto, o plano combina metas ousadas com etapas práticas para ampliar capacidade nacional de acesso ao espaço.
Fonte: Olhar Digital
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