Após dados do CS2 Tracker mostrarem um insulto a cada seis partidas, a Valve começou a criptografar chats em demos. A mudança impede ferramentas públicas de monitorar linguagem ofensiva e gera críticas de transparência.
No início deste mês, o site CS2 Tracker abriu uma aba de “slur tracking”, monitorando o uso de linguagem ofensiva em Counter-Strike 2, e revelou que um insulto é proferido em média a cada uma em seis partidas, expondo a dimensão do problema na comunidade. Em resposta, a Valve ainda não anunciou planos públicos para fortalecer a moderação; em vez disso, passou a criptografar os chats, o que impede rastreadores públicos de coletar esses dados.
“Chat is now encrypted in demo files using the same rules as CS:GO,” the patch notes read. “Team chat is no longer readable when playing back demo files. Global chat is only readable in demo files when played back via the in-game watch UI.”
Os números divulgados pelo rastreador vieram de uma amostra ampla de 494.000 jogadores. A ferramenta indicou que cerca de 7% da comunidade disseram ao menos um insulto racial em algum momento, e estimou que aproximadamente 204 milhões de insultos são proferidos por ano nos jogos monitorados. O relatório também incluiu um leaderboard que ranqueava jogadores pelo uso de termos como o n-word ou o f-slur — uma escolha funcionalmente problemática que incentivou comportamentos competitivos entre alguns usuários.
Alguns jogadores se mostraram envergonhados por terem seus dados expostos; outros, no entanto, reagiram como se a lista fosse mais um desafio a ser superado, aumentando o problema. Situações similares já surgiram no passado: um rastreador de ofensas para Team Fortress 2 enfrentou dinâmica parecida e seu criador acabou encerrando o site após notar efeitos indesejados.
Reações em redes sociais também refletiram a tensão entre coleta de dados para denúncia de abuso e privacidade/funcionalidade do jogo. Um conhecido leaker e dataminer publicou o trecho das notas de atualização, e comentários públicos variaram entre críticas e tom jocoso:
“Counter-Strike allowing us to be racist again”
“So I can go back to saying slurs?”
“Thank you Valve for protecting racists.”
Há uma parte prática e urgente dessa história que jogadores, criadores de conteúdo e estúdios podem adotar: 1) pressionar por relatórios transparentes e métricas acionáveis que permitam avaliar a efetividade da moderação; 2) promover sistemas de denúncia mais fáceis e mitigadores dentro do próprio cliente; 3) cultivar comunidades e servidores com regras claras e aplicadas de forma consistente. Enquanto a criptografia de demos reduz a disponibilidade de dados públicos, ela não elimina a necessidade de soluções técnicas e culturais para reduzir abuso e racismo online.
Publicado em 10/09/2026.
Fonte: The Gamer – Games
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