Representada pela BRIC, a massa falida da Celsius abriu ação em 12/09/2026 no tribunal de falências de NY, acusando a BitMEX de apreender 6.360 BTC no crash de março de 2020. A petição cita liquidações de 1.325,84 BTC e 5.034,33 BTC.
A massa falida da Celsius moveu ação judicial contra cinco empresas ligadas à BitMEX, alegando que a exchange liquidou e apreendeu indevidamente um total de 6.360 BTC durante o crash de março de 2020. A petição, registrada em 12 de setembro de 2026 no Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York, foi apresentada por entidades da Celsius por meio da representante da massa falida, Blockchain Recovery Investment Consortium (BRIC).
No processo, a massa falida afirma que a BitMEX realizou liquidações e apreensões de 1.325,84 BTC em garantias da Celsius em 12 de março de 2020 e de 5.034,33 BTC do fundo de investimento JST em 13 de março de 2020. A JST posteriormente cedeu à massa falida as reivindicações relacionadas, conforme o documento.
As rés citadas na ação são HDR Global Trading, ABS Global Trading, Shine Effort, 100x Holdings e HDR Global Services. A massa falida busca recuperar pelo menos 6.360,16 BTC ou seu valor em moeda corrente — valor que foi estimado em quase US$ 490 milhões no momento da redação — além da devolução dos Bitcoins na mesma espécie ou de seu valor de mercado equivalente. A ação também solicita indenizações previstas em lei, punitivas, eventuais indenizações triplas, os lucros atribuídos às liquidações e o reembolso de honorários e custos jurídicos. O processo observa que valores adicionais deverão ser quantificados em julgamento.
Segundo a petição, a BitMEX controlava os preços usados para acionar liquidações, o mecanismo que as executava e o fundo de seguro que recebia recursos de algumas posições liquidadas. Alega-se que certas ordens de venda destinadas à liquidação foram colocadas a preços superiores a 24% abaixo da melhor oferta seguinte disponível na plataforma e que o Bitcoin chegou a ser negociado a preços inferiores na BitMEX em comparação com outras exchanges à medida que o ciclo de liquidações se intensificava.
A massa falida registrou como evidência o momento em que a BitMEX interrompeu serviços em 13 de março de 2020, argumento baseado na observação de que as ordens de liquidação teriam parado quando a plataforma ficou indisponível e que o preço do Bitcoin se recuperou depois, o que, na visão dos autores da ação, indicaria que vendas forçadas na BitMEX pressionavam o preço para baixo. A própria BitMEX informou ter sofrido dois ataques distribuídos de negação de serviço em 13 de março de 2020, às 02:16 UTC e 12:56 UTC.
O registro judicial foi protocolado 11 dias antes de a BitMEX estar programada para interromper os serviços da exchange em 23 de setembro de 2026. Representantes da massa falida da Celsius e da BitMEX não responderam a pedidos de comentário antes da publicação.
Em processo anterior, protocolado em 23 de julho de 2026, a BKX Services e David Namdar haviam iniciado uma ação coletiva separada, alegando perda combinada de 622,66 BTC por liquidações forçadas e sustentando que uma mesa de negociação interna podia acessar informações privadas de clientes e continuar negociando durante congelamentos de servidor. Em resposta a essa ação de julho, um porta-voz da BitMEX declarou que se tratava de uma
“reivindicação oportunista e sem fundamento” e afirmou que a empresa “se defenderia vigorosamente”.
O novo processo da massa falida da Celsius adiciona uma disputa de grande valor ao conjunto de litígios envolvendo práticas de liquidação em plataformas de derivativos, e aguarda agora as etapas processuais que deverão definir a extensão das reivindicações e eventuais restituições.
Fonte: Cointelegraph Brasil
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