Levantamento em 37 países mostra que 52% dos brasileiros têm mais receio do que expectativa em relação à IA, acima da média global (37%). No Brasil, 27% nunca ouviram falar de IA, 42% conhecem pouco e 31% dizem saber bastante.
O futuro da inteligência artificial vem tirando o sono de mais da metade dos brasileiros: uma pesquisa aponta que 52% dos entrevistados no país têm mais receio do que expectativa em relação à tecnologia, acima da média global de 37%.
O estudo foi realizado em 37 países entre março e junho e traz recortes por idade, percepção sobre desigualdade e preocupações com o mercado de trabalho. No Brasil, 27% das pessoas afirmam nunca terem ouvido falar de IA, 42% dizem conhecer pouco do assunto e 31% afirmam saber bastante. Esses números evidenciam uma realidade dupla: há curiosidade e também lacunas de informação que dificultam uma avaliação equilibrada da tecnologia.
A preocupação entre os jovens também está crescendo: o levantamento indica que, na faixa de 18 a 34 anos, houve um aumento de 12 pontos percentuais desde 2025 — o Brasil está entre os seis países que registraram esse avanço, saindo de 32% em 2025. Globalmente, 48% das pessoas nessa faixa etária demonstram uma visão mais equilibrada da IA, mesclando receios e expectativas.
Sobre desigualdade, 28% dos entrevistados globais acreditam que a IA vai aumentar a diferença entre ricos e pobres. No Brasil, 30% não veem esse aumento de desigualdade e 24% acreditam que a tecnologia ampliará as diferenças socioeconômicas. Esses dados sinalizam que a percepção do impacto social da IA varia conforme contexto e acesso à informação.
O impacto no mercado de trabalho é outra preocupação central. Aqui no Brasil, 42% das pessoas estão preocupadas com os efeitos da IA sobre emprego em todas as faixas etárias analisadas, enquanto 13% veem um aumento de oportunidades com a tecnologia. Em outros países, esses índices chegam a patamares ainda maiores: Austrália e Coreia do Sul registram 76% de receio sobre oferta de empregos, e os Estados Unidos aparecem com 71% nessa avaliação. Nos EUA, 74% das pessoas entre 18 e 34 anos acreditam que a IA reduzirá postos de trabalho relacionados a determinadas funções.
O levantamento também traz episódios que traduzem a tensão social em torno da tecnologia: em maio deste ano, algumas formaturas nos EUA tiveram vaias a executivos do setor de tecnologia; no mês passado, uma pesquisa apontou mais de 70% de desconfiança dos jovens em relação a líderes da área. Um exemplo amplamente divulgado foi a reação a um executivo reconhecido do setor durante cerimônia de formatura.
Frente a esse cenário, estratégias práticas se tornam urgentes: ampliar a alfabetização digital e a educação sobre IA, investir em programas de requalificação profissional e fomentar debates públicos claros sobre regulação e ética são caminhos que ajudam a transformar receio em preparação. Informar e capacitar a população reduz incertezas e cria oportunidades para que a tecnologia seja usada a favor do desenvolvimento social e produtivo.



Fonte: Tecnoblog
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