Timnit Gebru venceu o prêmio Right Livelihood, conhecido como o “Nobel alternativo”, em reconhecimento ao seu trabalho para promover tecnologias digitais baseadas na justiça. A premiação destacou a trajetória da pesquisadora, sua investigação sobre vieses em modelos de linguagem e a iniciativa de ampliar representatividade na área de inteligência artificial.
Ex-pesquisadora do Google, Gebru foi demitida após se recusar a retirar conclusões de uma pesquisa sobre preconceitos em modelos de linguagem. A decisão de demitir a pesquisadora tornou-se ponto central na discussão sobre poder e responsabilidade nas grandes empresas de tecnologia e impulsionou o aprofundamento de seu trabalho sobre desigualdades geradas por sistemas automatizados.
Em 2017, Gebru fundou a organização Black in AI, voltada a aumentar a presença e a visibilidade de pessoas negras na inteligência artificial. Três anos depois, enquanto integrava a direção da equipe de ética do Google, ela foi uma das autoras de um artigo que apontava riscos de tendências racistas e sexistas nos modelos de linguagem. A empresa pediu que ela se retratasse dos resultados, segundo o júri do Right Livelihood, e Gebru se recusou, o que levou à sua demissão.
Depois de deixar o Google, Gebru aprofundou a pesquisa sobre preconceitos em IA e criou o DAIR, um centro dedicado a destacar os impactos desses sistemas na vida de pessoas vítimas de discriminação e exclusão. O trabalho do DAIR busca mapear como algoritmos reproduzem e amplificam desigualdades para orientar medidas de auditoria e políticas públicas mais eficazes.
“por questionar a concentração de poder” e “abrir caminho para tecnologias digitais baseadas na justiça”
Ao anunciar a premiação, o júri justificou a escolha com os trechos citados acima, ressaltando a importância de contestar concentrações de poder no setor tecnológico e de promover soluções que priorizem justiça e equidade.
Além de Gebru, o Right Livelihood reconheceu nesta edição outras três iniciativas voltadas à defesa de direitos humanos, das mulheres e da democracia: Jalila Haider, advogada paquistanesa reconhecida por sua luta contra perseguições étnicas, estatais e patriarcais; o Rural Women’s Assembly (RWA), movimento ecofeminista que reúne mais de 178 mil pequenas agricultoras em 11 países do sul da África; e a Georgian Young Lawyers Association (GYLA), organização destacada por sua contribuição à construção e preservação da democracia georgiana.
O Right Livelihood foi criado em 1980 por Jakob von Uexküll, após uma proposta rejeitada pela Fundação Nobel, e conserva o objetivo de reconhecer esforços em direitos humanos, meio ambiente e desenvolvimento. O reconhecimento a Timnit Gebru colocou novamente no centro do debate global a urgência de auditar algoritmos e combater preconceitos na inteligência artificial, chamando atenção para práticas que protejam grupos vulneráveis e promovam maior transparência nas tecnologias digitais.


Fonte: Olhar Digital
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