Bitcoin opera em leve queda, cotado a US$ 81.613 (-0,2%) e R$ 413.327, após reduzir perdas da madrugada. Mercado segue sensível ao avanço do petróleo, à pressão inflacionária e à expectativa pela decisão de juros do Fed.
O Bitcoin opera próximo dos US$ 82 mil nesta sexta-feira (23), após reduzir parte das perdas registradas durante a madrugada. A criptomoeda acompanha uma recuperação das bolsas asiáticas, mas permanece pressionada pela alta do petróleo, pelas preocupações com a inflação e pela expectativa para a próxima decisão de juros do Federal Reserve.
Nesta manhã, o Bitcoin apresenta leve queda de 0,2%, cotado a US$ 81.613 em 24 horas, e em reais estava em R$ 413.327. O Ethereum recua 0,4%, a US$ 2.396; o XRP cai 0,6%; a Solana sobe 0,4%; e a BNB registra alta de 2%.
O movimento do Bitcoin segue uma melhora parcial nos mercados internacionais: no Japão e na Coreia do Sul, índices reduziram perdas registradas no início do pregão, enquanto os contratos futuros do Nasdaq 100 chegaram a subir 0,17%. A recuperação ocorreu depois de o iene japonês perder força frente ao dólar, revertendo a valorização provocada por dados de inflação do Japão acima do esperado, que haviam aumentado apostas em novas altas de juros pelo banco central do país.
O fortalecimento do iene tende a pressionar ativos de maior risco quando a moeda se valoriza, porque investidores usam o iene para financiar operações em outros mercados. Quando o iene sobe, essas operações podem ficar mais caras e estimular vendas de ativos arriscados.
O ouro também recuperou parte das perdas, voltando à região dos US$ 4.020 por onça depois de cair para US$ 3.986, nível mais baixo desde julho. Ainda assim, o principal ponto de atenção continua sendo o preço do petróleo: o barril americano WTI permanece próximo dos US$ 100, enquanto o Brent é negociado acima dos US$ 110 em meio às tensões no Oriente Médio. A valorização da commodity pode pressionar a inflação global e dificultar eventuais cortes de juros nos Estados Unidos, cenário que tende a reduzir o apetite por investimentos considerados mais arriscados, como Bitcoin e ações de tecnologia.
A instabilidade também provocou liquidações entre traders alavancados: aproximadamente US$ 435 milhões em posições de futuros de criptomoedas foram liquidados nas últimas 24 horas, sendo US$ 385 milhões em apostas na valorização dos ativos, segundo dados citados pelo CoinDesk. Além disso, os ETFs de Bitcoin à vista dos Estados Unidos registraram saídas líquidas de US$ 381 milhões na quinta-feira (22), de acordo com dados preliminares da SoSoValue, revertendo parte das entradas observadas no início da semana.
Apesar das oscilações, o Bitcoin tem apresentado volatilidade relativamente baixa: não registrou variação superior a 6% no último mês, segundo levantamento reunido pelo Decrypt, e o Índice de Medo e Ganância do mercado cripto está em 47 pontos, na região neutra.
Analistas consultados destacam interpretações distintas desse momento. André Dragosch, chefe de pesquisa da Bitwise Europe, avalia que períodos prolongados de pouca movimentação, interrompidos por altas expressivas, podem ser característicos do início de mercados de alta. Jake Koch-Gallup, analista sênior da Blockworks, afirmou que períodos semelhantes de baixa volatilidade foram seguidos por oscilações de aproximadamente 30% nos meses seguintes, tanto para cima quanto para baixo. Já Carlos Guzman, vice-presidente de pesquisa da GSR, considera que o mercado permanece sem direção definida devido a preocupações com a economia global e dúvidas sobre o setor de inteligência artificial.
O principal acontecimento aguardado pelos investidores é a próxima decisão de juros do Federal Reserve, marcada para 28 de outubro. Até lá, a combinação de petróleo elevado, incertezas sobre os juros e demanda irregular pelos ETFs pode continuar limitando uma recuperação mais consistente do Bitcoin.
Fonte: Portal do Bitcoin
Siga o Ensinando a Vencer e receba nossos conteúdos em primeira mão.






