As ações de empresas do setor de petróleo na Europa fecharam em alta nesta quinta-feira, impulsionadas pela escalada do conflito entre Israel e Irã, que reacendeu temores de instabilidade regional e interrupções no fornecimento global de energia.
A ofensiva israelense, que incluiu ataques aéreos contra alvos militares e nucleares iranianos, elevou o Brent e impulsionou os papéis de gigantes como BP (NYSE:BP), Shell (NYSE:SHEL), TotalEnergies (EPA:TTEF), Var Energi, Eni, Aker, Equinor e Tullow Oil (LON:TLW), que avançaram entre 1% e 4% por volta das 10h10 (horário de Brasília).
Segundo a mídia estatal iraniana, os bombardeios teriam atingido a instalação de enriquecimento de urânio de Natanz, matando o comandante da Guarda Revolucionária Islâmica, Hossein Salami, entre outros líderes. Ainda não há confirmação sobre danos à instalação altamente protegida de Fordow, mas o ataque a Natanz, que abriga centrífugas antigas, marca uma escalada drástica na estratégia militar israelense.
Especialistas do Citi Research apontaram que o aumento do risco geopolítico elevou o prêmio de risco incorporado ao preço do petróleo. A possibilidade de uma resposta iraniana, que poderia atingir alvos além de Israel e comprometer a infraestrutura energética de toda a região, intensificou a aversão ao risco dos mercados.
O foco também recai sobre o Estreito de Hormuz — rota vital por onde transita cerca de 20,9 milhões de barris por dia de petróleo e derivados. Apesar da presença da Quinta Frota dos EUA no Golfo, o Irã poderia adotar ações assimétricas, como minar o estreito ou alvejar petroleiros, para desestabilizar o transporte marítimo.
A lembrança da guerra Irã-Iraque (1980–1988), quando centenas de navios e instalações petrolíferas foram atacados, voltou a assombrar os investidores, reacendendo temores de um cenário semelhante.
Israel, até o momento, evitou atacar a Ilha de Kharg — responsável por cerca de 90% das exportações iranianas de petróleo —, mas analistas alertam que, se a campanha continuar, a infraestrutura poderá se tornar alvo estratégico para minar o financiamento da rede de aliados regionais do Irã.
A crise se agrava ainda mais com as declarações da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que acusou o Irã de violar obrigações do tratado de não proliferação. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que Teerã já possui urânio enriquecido suficiente para produzir até nove ogivas nucleares, justificando os ataques como uma medida de defesa antecipada.
A Casa Branca reiterou que Israel agiu de forma independente e alertou o Irã contra qualquer ataque a ativos ou pessoal dos EUA. O ex-presidente Donald Trump, defensor de uma abordagem diplomática com Teerã, já havia estabelecido como linha vermelha a morte de cidadãos americanos — como no ataque que matou o general Qassem Soleimani em 2020.
O Citi também alertou que milícias pró-Irã no Iraque, Iêmen e outros pontos do Oriente Médio seguem como ameaças ativas e podem ser mobilizadas a qualquer momento. O mercado especula sobre o retorno de táticas como as de 2019, quando petroleiros e instalações de petróleo foram atacados.
As negociações nucleares entre Estados Unidos e Irã, previstas para domingo, agora estão cercadas de incertezas. Qualquer percepção de ameaça ao fluxo de petróleo do Golfo tende a pressionar ainda mais os preços e manter os mercados em alerta.
Para os analistas, as ações de energia europeias devem continuar reagindo aos desdobramentos geopolíticos, com o petróleo no centro das atenções globais diante de um cenário cada vez mais instável.
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