O vice-presidente reagiu à proposta americana de taxar produtos brasileiros em 25%. Alckmin garantiu que o Pix não será negociado e pediu reversão da medida.
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, fez uma declaração forte sobre a proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, chamando-a de “extremamente injusta” e “totalmente descabida”. Ele destacou a importância de reverter essa recomendação antes que seja formalizada pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
Em uma coletiva de imprensa realizada em Brasília, Alckmin reafirmou o valor do sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, que foi criado em 2020. Ele assegurou que esse tema está fora de qualquer negociação com os Estados Unidos, pois, segundo ele, “não prejudica ninguém e é altamente benéfico à população brasileira”.
“O Pix é um patrimônio nacional, é uma conquista do povo brasileiro, a tecnologia a serviço da sociedade e da economia, sem nenhum custo para as empresas e para a população. O Pix não tem a menor lógica entrar nisso porque ele não prejudica ninguém”, afirmou o vice-presidente.
Alckmin também denunciou a presença de “sabotadores” internos que, segundo ele, tentam prejudicar o país por interesses eleitorais em momentos em que o governo brasileiro está em diálogo com os Estados Unidos. Ele enfatizou que interesses pessoais e eleitorais não devem prevalecer sobre o bem-estar do país.
“Sempre que o diálogo avança, infelizmente, falsos patriotas, sabotadores prejudicam, colocam os seus interesses pessoais e eleitorais acima do interesse do país e do interesse público”, disse Alckmin.
Sobre a questão do desequilíbrio comercial entre Brasil e Estados Unidos, Alckmin apresentou dados que mostram que a balança comercial é favorável aos EUA, com um superávit de US$ 40 bilhões para eles no ano anterior. Ele também comentou sobre as alíquotas zero dos produtos americanos e o protecionismo no setor de açúcar, que prejudica o Brasil.
Alckmin destacou os avanços do Brasil na agenda climática, respondendo a críticas sobre desmatamento ilegal. Ele afirmou que o país está registrando a maior queda no desmatamento dos últimos anos, com uma redução de mais de 50% na Amazônia. O Brasil se comprometeu a zerar o desmatamento ilegal até 2030.
O vice-presidente concluiu enfatizando a necessidade de intensificar o diálogo técnico com os Estados Unidos, através de um grupo de trabalho bilateral, para tentar reverter ou mitigar a taxação antes do prazo final, que é 15 de julho. Ele lembrou que já houve encontros entre os líderes dos dois países e que ministros brasileiros planejam reuniões bilaterais com representantes dos EUA.
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