O vice-presidente classificou as recomendações americanas como injustas e descabidas. O Brasil se prepara para rebater as conclusões do USTR que ameaçam produtos nacionais.
O governo federal manifestou uma reação firme e decidida à conclusão preliminar da investigação da Seção 301, conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Durante uma reunião realizada no dia 1º de junho, o vice-presidente Geraldo Alckmin, acompanhado de outros membros da equipe econômica, classificou a recomendação que pode levar à imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros como “injusta” e “descabida”.
Em coletiva de imprensa, Alckmin expressou a indignação do governo em relação à decisão e rebateu os argumentos apresentados pelos norte-americanos. O vice-presidente destacou que o sistema de pagamentos instantâneos, conhecido como PIX, é um patrimônio nacional que não prejudica as empresas estrangeiras. Ele enfatizou que tanto empresas americanas quanto brasileiras recebem o mesmo tratamento no país.
O PIX se tornou um símbolo da reação do governo a essa investigação. O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o sistema não está e não estará na mesa de negociação. Por sua vez, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, descreveu o PIX como o maior símbolo da soberania financeira brasileira, garantindo que o governo o protegerá.
Os representantes do governo também contestaram outros aspectos da investigação, que abordam temas como os acordos comerciais do Mercosul, a política ambiental, o combate à corrupção, a proteção à propriedade intelectual e as tarifas aplicadas ao etanol. O governo ressaltou que os Estados Unidos são os principais beneficiários do sistema brasileiro de patentes, representando cerca de 30% dos registros analisados pelo INPI.
Alckmin ainda argumentou que a balança comercial favorece amplamente os Estados Unidos. Segundo dados apresentados pelo governo, os norte-americanos registraram um superávit superior a US$ 40 bilhões em bens e serviços na relação comercial com o Brasil apenas no último ano. Além disso, 76% das importações provenientes dos Estados Unidos entram no mercado brasileiro sem a necessidade de pagamento de imposto de importação.
A coletiva também foi marcada por críticas à oposição. Alckmin afirmou que “falsos patriotas” estariam sabotando os interesses nacionais ao atuar politicamente junto ao governo americano. Márcio Elias Rosa mencionou o senador Flávio Bolsonaro, afirmando que as iniciativas da oposição têm dificultado o avanço das negociações bilaterais.
Em nota divulgada após a reunião, o governo alegou que a investigação da Seção 301 teve início em julho de 2025, provocada por integrantes da família Bolsonaro. O texto acusa a oposição de conspirar contra os interesses nacionais e de sabotar o diálogo construído entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
O governo informa que as negociações entre Brasil e Estados Unidos continuam em andamento e devem prosseguir até o encerramento da investigação, previsto para o dia 15 de julho. A estratégia é intensificar o diálogo com autoridades americanas e mobilizar também o setor privado dos dois países para evitar que as recomendações preliminares se tornem tarifas efetivas.
Caso isso ocorra, o governo estima que cerca de 21% das exportações brasileiras para os Estados Unidos possam ser impactadas, especialmente nos setores de máquinas e equipamentos, plásticos, madeira, papel, calçados, ferro fundido e pescados.
Apesar das críticas, o Palácio do Planalto reafirmou seu compromisso com a negociação diplomática, mas ressaltou que poderá utilizar os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica para responder a eventuais medidas consideradas injustas contra o Brasil.

