Felipe Sant'Ana, cofundador da Paradigma, disse no OranjeBTC Summit 2026 em São Paulo que o Bitcoin pode estar próximo do fundo do ciclo atual. Ele projeta recuperação em 2027 e ganhos mais fortes em 2028.
O Bitcoin (BTC) pode estar se aproximando do fundo de seu atual ciclo de mercado e voltar a apresentar uma trajetória de valorização em 2027, com ganhos potencialmente mais expressivos em 2028. Essa avaliação foi apresentada por Felipe Sant’Ana, cofundador da Paradigma, durante um painel no OranjeBTC Summit 2026, realizado nesta quinta-feira (5), em São Paulo.
Sant’Ana ressaltou que, apesar das transformações recentes no mercado — entre elas a maior presença de investidores institucionais — os ciclos de aproximadamente quatro anos continuam sendo uma referência para projetar movimentos futuros do preço do Bitcoin. Segundo ele, esses ciclos costumam exibir fases de forte valorização, seguidas por correções amplas e um período de consolidação antes de uma nova tendência de alta.
Se o padrão teimar em se manifestar de novo, o final desse ano é para ser um momento de fundo de ciclo
Ao comentar o cenário, o especialista explicou que, caso esse padrão se repita, o final de 2026 poderá marcar a formação de um fundo de ciclo, abrindo espaço para recuperação em 2027. A expectativa por uma valorização ainda mais intensa em 2028 está ligada ao halving programado para esse ano, evento que reduz pela metade a recompensa aos mineradores e diminui o ritmo de emissão de novos bitcoins.
O painel também destacou aspectos técnicos e comportamentais que influenciam os ciclos. O mecanismo do halving, que ocorre aproximadamente a cada quatro anos até o limite de 21 milhões de moedas, tem historicamente antecedido movimentos expressivos de alta. Ainda assim, Sant’Ana advertiu que não há garantia de repetição dos movimentos passados, já que a crescente participação institucional, mudanças macroeconômicas e a evolução da percepção do Bitcoin como reserva de valor podem alterar a dinâmica tradicional.
Entre os indicadores discutidos esteve o MVRV, que compara o valor de mercado do Bitcoin com seu valor realizado — uma aproximação do custo de aquisição agregado das moedas em circulação. Momentos em que o MVRV caiu abaixo de 1 estiveram associados, historicamente, à formação de fundos de mercado. No entanto, Sant’Ana observou que esse sinal clássico ainda não havia aparecido no ciclo atual, o que complica afirmar com precisão se o menor preço já foi atingido.
Paulo Ghedini comentou sobre as condições macroeconômicas: ele ressaltou que a resistência do Bitcoin diante do aumento dos juros reais nos Estados Unidos foi uma surpresa, pois rendimentos mais altos tendem a pressionar ativos considerados arriscados. Ghedini destacou também a importância de uma eventual redução na correlação entre Bitcoin e índices de ações de tecnologia como o Nasdaq, o que poderia sinalizar uma mudança no perfil do ativo.
Em resumo, o painel apontou uma possibilidade concreta de fundo de ciclo no final de 2026 e recuperação em 2027, com um potencial de alta mais forte em 2028 ligado ao halving. Ao mesmo tempo, foi enfatizada a incerteza inerente: mudanças na estrutura de demanda, no ambiente macro e no comportamento dos investidores podem resultar em desvios em relação aos padrões históricos.
Fonte: Portal do Bitcoin
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