A Rússia lançou mísseis e drones nesta segunda-feira (6) contra prédios residenciais em Kiev pela segunda vez em uma semana, resultando em pelo menos 14 mortes um dia antes de uma reunião de cúpula crucial da Otan.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky fez um apelo aos países aliados para que adotem “decisões firmes” a fim de aumentar o fornecimento de sistemas de defesa aérea à Ucrânia após o ataque, que ocorreu apenas dias depois de outro bombardeio russo que deixou mais de 30 mortos em Kiev.
O ataque desta segunda-feira causou uma cratera em um bloco de apartamentos na capital ucraniana, destruindo os andares superiores. Durante a noite, jornalistas em Kiev relataram ouvir mais de 10 explosões durante um alerta de mísseis balísticos.
Este foi o segundo ataque em que a Rússia utilizou mísseis balísticos difíceis de interceptar, o que resultou em um novo apelo de Zelensky aos aliados para que enviem mísseis avançados para os sistemas de defesa aérea Patriot, fabricados nos Estados Unidos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e Zelensky devem discutir a guerra iniciada em 2022 durante a cúpula da Otan que começa nesta terça-feira (7) em Ancara, na Turquia.
“É de importância crucial que o mundo — e, sobretudo, os Estados Unidos e nossos parceiros europeus — saia da cúpula da Otan em Ancara com decisões firmes em apoio à nossa defesa aérea e, portanto, à proteção da vida”, declarou Zelensky nas redes sociais.
Após o lançamento de 68 mísseis e 351 drones, pelo menos 14 pessoas morreram em Kiev e sua região, com mais de 60 feridos. As autoridades de Vyshneve, um subúrbio de Kiev, ordenaram a evacuação dos moradores devido à possível presença de munições não detonadas entre os escombros.
Os habitantes do distrito de Podilski, na zona norte da capital, passaram por momentos de angústia. Oleksandr Bakhlukov, um morador de 68 anos, relatou: “Às 1h30, aconteceu um impacto muito forte. Uma onda expansiva, todas as janelas voaram. E depois atacaram mais três vezes. Pedaços de vidro caíram por todos os lados. Não sobrou uma janela de vidro no apartamento”.
O Ministério da Defesa da Rússia anunciou um “ataque em larga escala” com mísseis e drones contra o que descreveu como “empresas do complexo militar-industrial” e instalações de energia em várias regiões ucranianas.
Quase 30 edifícios residenciais em Kiev foram atingidos, e as equipes de resgate continuaram removendo os escombros várias horas após o ataque, de acordo com as autoridades. Zelensky afirmou que o Exército ucraniano derrubou drones e mísseis de cruzeiro russos, mas que ainda conta com um “fornecimento insuficiente de mísseis interceptadores” para deter os mísseis balísticos.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou que o ataque evidencia a necessidade urgente de mais defesa aérea para a Ucrânia, um ponto que será discutido na reunião da Otan. O Exército russo, por sua vez, afirmou que suas forças derrubaram mais de 500 drones ucranianos durante a noite.
Na Crimeia, o governador designado por Moscou, Mikhail Razvozhayev, anunciou que a cidade de Sebastopol ficou sem eletricidade após um ataque inimigo contra a infraestrutura de energia.
Trump deve se encontrar com Zelensky nesta terça-feira em Ancara, com a expectativa de discutir como avançar em direção a um fim para a guerra. O presidente americano também tem uma conversa agendada com o presidente russo, Vladimir Putin, para tentar reativar os esforços de paz na região.
A Rússia tem realizado ataques frequentes com mísseis e drones contra cidades ucranianas desde o início da invasão em fevereiro de 2022, resultando no conflito mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

