A Mercuria Energy Group, trading suíça de energia e commodities, está em estágio avançado nas negociações para adquirir uma refinaria e uma rede de centenas de postos de combustíveis da Raízen na Argentina, segundo duas fontes com conhecimento direto do assunto.
Uma das fontes afirmou que o acordo pode ser concluído em breve, embora ainda exista risco de as tratativas não avançarem até a assinatura final. A outra destacou que a formalização pode levar algumas semanas e que o valor da operação deve superar US$ 1 bilhão. Até o momento, porém, não há contrato vinculante firmado.
O interesse pelos ativos argentinos da Raízen não é exclusivo. O Vitol Group, outro gigante global do setor de energia, também teria avaliado a aquisição, mas as negociações ganharam tração com a Mercuria. Procuradas, Mercuria, Vitol e Raízen não comentaram o assunto. A Bloomberg foi a primeira a noticiar o avanço das tratativas.
A potencial venda ocorre em meio a um cenário de forte deterioração financeira da Raízen, joint venture entre Cosan e Shell. A companhia vem registrando sucessivos prejuízos trimestrais e enfrenta elevado nível de endividamento, o que pressionou seus títulos no mercado e ampliou a percepção de risco entre investidores.
Nesta semana, duas das principais agências de classificação de risco promoveram novos rebaixamentos. A Fitch reduziu o rating da empresa inicialmente para “B” e, horas depois, para “CCC”, aprofundando a preocupação com sua estrutura de capital. A S&P Global Ratings também revisou a nota da companhia para “CCC+”.
Em meio ao processo de reavaliação estratégica, a Raízen confirmou a contratação dos escritórios Pinheiro Neto e Cleary Gottlieb como assessores jurídicos, além do banco Rothschild como consultor financeiro, movimento que sinaliza a busca por alternativas para reforçar liquidez e reorganizar sua estrutura financeira.
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