A Balancer, exchange descentralizada e formadora automatizada de mercado, avaliou o encerramento ordenado do seu protocolo depois que a reestruturação pós-exploit não conseguiu recuperar a receita legada. A proposta, elaborada pelo CEO da Balancer Labs, Marcus Hardt, foi publicada no fórum de governança na segunda-feira e prevê o fechamento gradual das operações e a distribuição do tesouro remanescente aos detentores do token BAL.
A reestruturação já havia cortado custos e lançado novos produtos, e a Balancer Labs tinha encerrado formalmente suas operações em março, mantendo apenas a operação do protocolo sob uma estrutura mais enxuta. Ainda assim, segundo a proposta, a receita ficou aquém do planejado: a maior parte da receita ainda vinha da v2, e a v3 não gerou receita suficiente para substituí-la — um cenário que afetou a viabilidade financeira do protocolo.
“O que não veio foi receita suficiente. A maior parte da receita do protocolo ainda vem da v2, e a receita da v3 não cresceu o bastante para substituí-la. O produto funcionou. Ele não vendeu o suficiente.”
Dados públicos indicaram uma queda acentuada da receita mensal: para US$ 371.000 em novembro, ante US$ 1,13 milhão em outubro, após um exploit que atingiu pools de stablecoins compostáveis no v2 legado. A receita seguiu em queda até 2026, chegando a US$ 56.781 em agosto. Hardt destacou que o ataque de novembro de 2025 continuou a pesar nas conversas do mercado e tornou mais difícil ganhar tração para a v3.
“O exploit de novembro de 2025 atingiu os pools legados da v2. A v3 tem uma arquitetura diferente, mas o evento acompanhou o nome em todas as conversas desde então e tornou mais difícil ganhar tração.”
“Subestimei o quanto o exploit continuaria limitando a adoção.”
A proposta detalhou etapas concretas: iniciar um encerramento em fases no próximo mês, com fim do desenvolvimento de novos negócios; provedores de liquidez teriam até 30 de outubro para se preparar para sair; e pools pausáveis permitiriam apenas retiradas, enquanto pools não pausáveis continuariam operando com taxa de protocolo zerada quando os contratos permitissem.
A partir de 1º de novembro, a Balancer operaria apenas a infraestrutura mínima para suportar retiradas e a DAO seria encerrada, mantendo uma pequena equipe para administrar a transição. A proposta reservou até US$ 400.000 para o processo de encerramento. O tesouro remanescente foi avaliado em mais de US$ 9 milhões, e os detentores de BAL receberiam sua parcela pro rata. A primeira distribuição foi programada para maio de 2027, mediante queima de BAL em troca de ativos do tesouro, seguida por uma segunda distribuição para fundos não utilizados e uma varredura final seis meses depois.
“Continuar no caminho atual consome o tesouro para chegar ao mesmo lugar mais tarde. Esse tesouro pertence aos detentores de BAL. A questão é saber se o que restar chegará aos detentores enquanto ainda for substancial ou se será gasto primeiro em um caminho que já foi testado.”
A decisão final dependeria dos detentores de BAL: uma votação por snapshot estava programada de 25 a 29 de setembro. Caso a proposta fosse rejeitada, a estrutura operacional então vigente permaneceria em vigor. Para detentores e provedores de liquidez, a proposta trouxe prazos e passos claros para organizar saídas e reivindicar ativos, enquanto a comunidade avaliava o trade-off entre prolongar operações e preservar o tesouro para distribuição.
Fonte: Cointelegraph Brasil
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