Saiu uma proposta para integrar o esquema pós-quântico SHRINCS ao Bitcoin contra ameaças quânticas. A mudança fortalece a segurança, mas impõe trade-offs técnicos e de governança que exigem discussão.
Uma Proposta de Melhoria do Bitcoin para o esquema de assinatura pós‑quântica SHRINCS acaba de ser publicada e promete atualizar o Bitcoin para enfrentar a ameaça dos computadores quânticos. A mudança abre caminho para que a rede mantenha sua segurança mesmo diante de avanços em computação, mas traz trade‑offs técnicos e de governança que exigem atenção prática.
O cofundador e CEO da Blockstream, Adam Back, historicamente cético sobre prazos para a maturidade dos computadores quânticos, defendeu a ideia de preparação antecipada como estratégia prudente:
“a coisa segura” é se preparar para a ameaça com bastante antecedência.
Pesquisadores da Blockstream vêm otimizando assinaturas pós‑quânticas para que o Bitcoin preserve o máximo de suas propriedades atuais. Em dezembro de 2025, Jonas Nick e Mikhail Kudinov revelaram o SHRINCS, e a proposta de opcode foi publicada em maio. A proposta de melhoria do Bitcoin para o SHRINCS, segundo a equipe, foi publicada hoje mais cedo.
“a primeira proposta concreta para um esquema de assinatura pós‑quântica projetado especificamente para o Bitcoin.”
“o SHRINCS não pretende ser o esquema de assinatura ‘final’ do Bitcoin e não é ótimo em todos os aspectos. Acho que é um compromisso muito bom entre as opções que temos agora”
O SHRINCS é um esquema baseado em hash com tamanho mínimo de assinatura de 548 bytes (mais uma chave pública de 48 bytes) e que pode crescer até 4.619 bytes. Apesar de menor que a maioria das assinaturas pós‑quânticas padronizadas, ele ainda tende a ser cerca de nove vezes maior que as assinaturas Schnorr do Bitcoin (64 bytes) ou as ECDSA antigas (70 bytes). Marin Ivezic, especialista consultado pela equipe de pesquisa, aponta vantagens de integração com premissas já usadas na mineração:
“O SHRINCS é o design de assinatura pós‑quântica mais nativo do Bitcoin que alguém já produziu.”
“[Ele tem] recuperação total de seed BIP‑39 e segurança apoiada nas mesmas premissas SHA‑256 das quais a mineração de Bitcoin já depende.”
Comparações técnicas mostram que esquemas aprovados pelo NIST hoje podem ser entre 38 e 123 vezes maiores que ECDSA/Schnorr. Estimativas indicam que, se todos usassem assinaturas Schnorr do Taproot, o Bitcoin poderia operar a cerca de 6,5 TPS; com ML‑DSA o desempenho cairia para 0,5 TPS e com SPHINCS+ para 0,36 TPS. Usando SHRINCS, a estimativa de desempenho fica em torno de 3 TPS — próxima ao funcionamento atual.
Além da redução do tamanho das assinaturas, outra via em estudo é agregar assinaturas com uma prova de conhecimento zero por bloco, solução que poderia reduzir drasticamente o espaço ocupado por assinaturas, mas que implicaria mudanças mais profundas no protocolo e dificuldade de aceitação comunitária. A Blockstream considera ambas as frentes, mas separou claramente as propostas para facilitar debate técnico.
O SHRINCS já foi testado em produção na sidechain Liquid em março deste ano, incluindo até uma cópia do white paper do Bitcoin no experimento. Ainda assim, como o próprio BIP adverte:
“uma prova de segurança é TODO”
Em suma: a proposta representa um avanço prático e plausível rumo à resistência quântica do Bitcoin, mas não é a solução final. Falta auditoria pública aprofundada, criptoanálise prolongada e consenso da comunidade para qualquer ativação — passos essenciais antes de transformar a proposta em mudança segura e adotável na cadeia principal.
Fonte: Cointelegraph Brasil
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