O governo federal rejeitou as tarifas americanas de 25% e colocou na mesa a Lei de Reciprocidade como resposta. Aprovada por unanimidade no Congresso, a lei pode acirrar a tensão comercial entre os dois países.
Em uma declaração oficial emitida nesta quarta-feira, 03 de junho de 2026, o governo brasileiro expressou sua “profunda discordância” em relação às tarifas de 25% anunciadas pelo governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump. A nota do governo deixou claro que a Lei de Reciprocidade está sendo considerada como uma possível resposta. O texto destaca: “O Brasil se reserva o direito de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, para fazer face a situações de injustiça contra o Estado brasileiro.”
Além disso, o governo classificou como “absurdo” o esforço de associar a competitividade da economia brasileira ao emprego de trabalho forçado, ressaltando que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) reconhece o Brasil há décadas como um exemplo internacional na luta contra essa prática.
O relator da Lei de Reciprocidade na Câmara, deputado Arnaldo Jardim, já havia sinalizado a postura do governo em relação a esta questão em uma entrevista. Ele afirmou: “É preciso esgotar todas as possibilidades de diálogo. Existe um período de negociação exaustiva. É como ter uma arma sobre a mesa: o ideal é não precisar usá-la. O importante é negociar até o limite. Mas o instrumento está pronto para ser usado e já está regulamentado.”
O debate sobre a melhor abordagem a ser adotada frente às tarifas americanas gerou divisões no Congresso. Há aqueles que defendem a negociação como a melhor estratégia e outros que acreditam que é necessário retaliar. A situação permanece indefinida, e Brasília ainda não sabe até quando será possível manter a “arma sobre a mesa” sem acioná-la. O cenário é complexo e exige cautela, uma vez que as decisões a serem tomadas podem impactar significativamente as relações comerciais entre os dois países.
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